G1 Sul de Minas – 14/12/2017 08h42

Solo na região do Vulcão Irazú, na região da Cordilheira Central da Costa Rica, oferece boas condições para plantio de grão de alta qualidade.

Por Bruno de Oliveira e Régis Melo, Poços de Caldas, MG

 (Foto: EPTV)

A busca pela qualidade no café tem se tornado cada vez mais uma preocupação no Brasil e no exterior. E para desenvolver os grãos de maneira cada vez mais homogênea e saborosa, os cafeicultores precisam estar atentos a diversas características ambientais. E é justamente uma delas, o solo, que é o principal trunfo de alguns produtores da Costa Rica, que têm sua produção em cima de um vulcão ainda em atividade.

O vulcão Irazú, localizado na Cordilheira Central, fica a 50 quilômetros da capital San José. Sua última erupção foi em 1994, mas ele ainda é considerado ativo. No local, os cafeicultores apostam na riqueza dos mineirais deixados pela lava para conferir mais qualidade aos grãos. Isso porque a quase 3,3 mil metros acima do nível do mar, o imponente vulcão influencia positivamente na produção cafeeira, já que seu solo evita a erosão da terra.

A colheita nas proximidades do vulcão vai, em geral, de outubro até março. O início da retirada dos grãos é repleto de dificuldades por conta da topografia, cheia de inclinações. Os cafés da região têm algumas diferenças no modo de produção com relação ao Brasil.

Cafeicultores da Costa Rica contam com a topografia e o solo diferenciados para produzir café de ponta (Foto: Devanir Gino/Reprodução EPTV)
Cafeicultores da Costa Rica contam com a topografia e o solo diferenciados para produzir café de ponta (Foto: Devanir Gino/Reprodução EPTV)

Segundo Sanchez, as propriedades da Costa Rica não possuem terreiros para secagem do grão e nem máquinas de beneficiamento.

“O produtor tem somente uma única preocupação que é a produção do café cereja. Em cada fazenda o produtor não faz nada de processamento. Somente a única preocupação é poder ter um grão totalmente vermelho para em pontos onde a cooperativa recolhe o café”, conta.

Vulcão Irazú, localizado na Costa Rica é além de ponto turístico, apoio na produção de café da região (Foto: Devanir Gino/Reprodução EPTV)
Vulcão Irazú, localizado na Costa Rica é além de ponto turístico, apoio na produção de café da região (Foto: Devanir Gino/Reprodução EPTV)

Solo vulcânico no Sul de Minas

Em Poços de Caldas (MG), produtores já reivindicam há algum tempo o selo de certificação dos grãos produzidos na área, onde o solo faz parte de um vulcão extinto. Os cafeicultores esperam que o café colhido seja tão reconhecido quanto a produção cafeeira da região do Vulcão Irazú.

Eles criaram uma associação pedindo a identificação de procedência da área de produção cafeeira junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi). Segundo o professor de Indústria e Qualidade do Café do Instituto Federal do Sul de Minas (IF Sul de Minas) do campus de Machado (MG), Leandro Carlos Paiva, a ideia é valorizar o produto feito no Brasil.

“A gente está em uma fase de escrever o processo para mandar para o instituto. E o Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) está ajudando a gente. Nós fizemos um fórum com todos os prefeitos e vices, secretários de Agricultura e Turismo dos municípios da região, e já organizamos palestras e guias de campo para estar explicando sobre o trabalho. E agora estamos tentando terminá-lo”, explica.

Planalto de Poços de Caldas (Foto: Divulgação/Cafés Vulcânicos)
Planalto de Poços de Caldas (Foto: Divulgação/Cafés Vulcânicos)

Para entrar com o pedido do selo, foi feito levantamento do número de cidades que fazem parte da região do vulcão com base na produção cafeeira local. “A gente já descobriu que o vulcão é uma cadeia de montanhas que contempla margens de municípios. Então foi essa elevação vulcânica que formou alguns parques cafeeiros da região”, conta.

O pesquisador lembra que a altitude da região também auxilia na qualidade do café produzido. “As análises de qualidade mostraram que a partir de mil metros você tem uma homogeneidade de cafés entre 86 e 88 pontos, que têm acidez cítrica bastante evidente, mas que ainda têm uma doçura muito alta e um corpo bastate cremoso. A maioria das nossas regiões aqui possuem esses atributos”, diz.

Ele espera que com o reconhecimento, o café da região seja mais valorizado comercialmente. “A gente vai puxar a identificação de procedência da região vulcânica e tudo que for proceder dessa região, vai poder, num futuro, ser trabalhado dentro dessa identificação”.

A idéia também deve se expandir e ir além da comerciaização do café. “Já conversamos com outras Secretarias de Turismo dos municipios do entorno de Poços para criarmos rotas turísticas na região”.

Professor do Instituto Federal em Machado, Leandro Carlos Paiva está à frente de projeto para reconhecimento do Café Vulcânico (Foto: Lucas Soares)
Professor do Instituto Federal em Machado, Leandro Carlos Paiva está à frente de projeto para reconhecimento do Café Vulcânico (Foto: Lucas Soares)