Agência SAFRAS – 27/11/2018

Lessandro Carvalho

Punta Del Este, 27 de novembro de 2018 – O Rabobank espera um déficit na oferta mundial de café de 1,2 milhão de sacas de 60 quilos em 2019/20. Para 2018/19, a expectativa é de um superávit na oferta de 5,5 milhões de sacas. A estimativa foi apresentada pelo analista sênior do Rabobank, Guilherme Morya, que fez uma palestra durante o 26º Encafé (Encontro Nacional das Indústrias de Café), que ocorre de 25 a 29 de novembro no Hotel Enjoy Punta Del Este, em Punta Del Este, no Uruguai, falando sobre “Mercado, demanda e expectativas”.

Os principais produtores globais de arábica e de robusta (conilon) estão com grandes safras na temporada 2018/19. No arábica, Morya mostro que Honduras terá um aumento na produção de 1,8% em 2018/19, chegando a uma safra de 7,6 milhões de sacas. Já a Colômbia deve crescer 2,8% e chegar à colheita de 14,2 milhões de sacas. O grupo formado por Peru, Guatemala, México e Nicarágua deve ter um incremento produtivo de 1,7%, chegando à safra de 14,9 milhões de sacas.

No robusta, o Vietnã deve aumentar a produção em 4,4% em 2018/19, atingindo 31,1 milhões de sacas, segundo os números apresentados do Rabobank por Morya. Já a Índia tem a crescer 0,8% para 6,2 milhões de sacas (números podem ser reavaliados devido à quebra de safra). A Indonésia também deve ter elevação na produção, de 1,7%, chegando à colheita de 11,8 milhões de sacas. Muito vai depender para a confirmação desses números do que o fenômeno El Niño poderá causar.

Com essas perspectivas de oferta maior, Morya diz que faz sentido os preços menores agora no mercado internacional. Os estoques com os consumidores estão estáveis e tranquilos. Recentemente, a bolsa de Nova York teve uma recuperação para o arábica, que saiu de US$ 1,00 e foi a mais de US$ 1,20 a libra-peso. Depois, perdeu terreno novamente o mercado. Essa reação, segundo Morya, se explica em grande parte pelo ajuste da carteira dos fundos e especuladores, que estavam amplamente vendidos e diminuíram essa posição.

Para ele, o mercado vai depender de agora para 2019 dos fundamentos de produção efetivamente, do posicionamento dos fundos e da volatilidade cambial. O Rabobank trabalha com o preço médio no último trimestre de 2018 de US$ 1,19 a libra-peso em NY. E espera uma recuperação no primeiro trimestre de 2019 para a faixa média de US$ 1,24 a libra-peso, devendo essa média se manter até o terceiro trimestre, pelo menos. Não há perspectiva de saltos mais altos nas cotações.