Agência SAFRAS – 27/11/2018

Lessandro Carvalho

Punta Del Este, 27 de novembro de 2018 – A taxa de crescimento do consumo do café vem recuando nos últimos anos, mas ainda é bem positiva. De 2001 a 2006, o consumo de café no mundo subia em média 2,4% ao ano, depois de 2007 a 2011 esse percentual foi a 2,7%, mas caiu para 1,9% de 2012 para cá. A afirmação foi feita pelo analista sênior do Rabobank, Guilherme Morya, que palestrou durante o 26º Encafé (Encontro Nacional das Indústrias de Café), que ocorre de 25 a 29 de novembro no Hotel Enjoy Punta Del Este, em Punta Del Este, no Uruguai.

Mesmo reduzindo o ritmo de crescimento, o consumo segue aumentando nos últimos anos entre 3,0 a 3,5 milhões de sacas por ano. O incremento se dá tanto em novos mercados, mas também ocorre em mercados mais “maduros”. Hoje, o Rabobank trabalha com um consumo mundial de 166 a 167 milhões de sacas, e acredita que em 2024 esse número chegará a 180 milhões de sacas. Embora a taxa de crescimento em volume tenha desacelerado, Morya destaca que em valor as taxas só crescem, com mais cafés diferenciados, em cápsulas e com outras formas de preparo.

Morya descreveu que, de acordo com o mercado, o consumo tem 3 etapas de desenvolvimento. O primeiro é o massivo, como o visto na África, com mais demanda, menor apreciação até da bebida, e ocorrendo mais dentro dos lares. Depois há os mercados que estão em fase inicial da diferenciação, como o próprio Brasil, com mais cafeterias sendo instaladas, maior consumo de espresso e mais consumo fora do lar. E o terceiro caso em mercados mais maduros, como o americano, o europeu e o japonês, tem a fase das inovações, com novas técnicas (mais sabor), busca de origens, cafés artesanais e com tecnologia.

Os mercados não tradicionais estão puxando o crescimento mundial nos últimos anos, destacou Morya. No Oriente Médio, entre 2012 e 2017 o crescimento médio do consumo foi de 7,0%, e na Ásia de 5,7%. Em números absolutos, o consumo cresceu 7,3 milhões de sacas entre 2012 e 2017 na Ásia, e 600 mil sacas no Oriente Médio. Só o incremento da demanda na Ásia já supera o aumento do consumo da América do Sul e do Norte juntas. O Brasil puxa o consumo na América do Sul, mas a Colômbia vem dando sinais positivos, como destaca Morya. O analista do Rabobank destaca os aumentos da demanda de países asiáticos como China, Vietnã, Indonésia e Filipinas.

Quanto a tipos de café, as cápsulas vem tendo taxas de crescimento de consumo maior (embora o ritmo tenha diminuído), sendo seguidas por solúvel e Torrado e Moído.

Ásia

Morya destacou bastante a Ásia no consumo, traçando uma tendência de 2005 a 2025. A Ásia, tirando Japão e Coréia do Sul, consumia 7,3 milhões de sacas em 2005, tendo crescido para 19,7 milhões de sacas em 2015. E a projeção é que o continente demande 28,2 milhões de sacas em 2025. “Esse crescimento está muito atrelado à China, que deve crescer quase 4 milhões de sacas até lá”, afirmou.