Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais | 01/12/2017 19:50:00

A produção de cafés especiais em Minas está assentada em um tripé que inclui sustentabilidade ambiental, responsabilidade social e competitividade econômica. A análise foi feita pelos convidados do último painel do Ciclo de Debates Produtos Especiais dos Campos de Minas: As Tecnologias e os Mineiros em Destaque, na tarde desta sexta-feira (1º/12/17), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

De acordo com Clemilson Pereira, presidente da Cooperativa dos Agricultores Familiares de Poço Fundo e Região (Coopfam), a atuação da entidade, criada em 2003, é embasada em quatro pilares: a importância da família; a preservação do meio ambiente; a realização de projetos sociais; e a valorização do produto. “Não somos uma cooperativa de café, e sim de pessoas”, reforçou.

Ao todo, a cooperativa reúne 450 famílias de 37 municípios do Sul de Minas, com lavouras geralmente a 1.100 metros de altitude. Com essa estrutura, a Coopfam produz café: in natura (com processamento natural), orgânico, orgânico feminino e em microlotes especiais. Cerca de 80% da produção é exportada.

Como tendências de mercado, o dirigente apontou que o consumo de café comum no Brasil cresce 2% ao ano em média, enquanto o de cafés especiais cresce 7%, movido principalmente pelo público jovem. Ele destacou que a chamada “primeira onda” do café se deu com a venda em supermercados; a segunda, com a proliferação de cafeterias. A “terceira onda”, atual, segundo Clemilson, é aquela em que o público não quer só consumir o produto, mas também conhecer a sua história. Por isso, os estabelecimentos têm um barista para passar essas informações e preparar o café.

MG se destaca na produção de cafés especiais

“O café especial é produzido por pessoas especiais e vendido a clientes especiais”, definiu Sérgio Regina, coordenador estadual de Culturas da Emater-MG. Ele explicou que o Estado já reconheceu quatro regiões produtoras: Chapada de Minas (Vale do Jequitinhonha), Zona da Mata, Sul de Minas e Cerrado (Triângulo e Alto Paranaíba).

De acordo com Sérgio, até setembro de 2017, o Brasil exportou 21,87 milhões de sacas, com um preço médio de R$ 200 a saca. Desse total, 3,39 milhões de sacas são de cafés diferenciados. Na sua avaliação, Minas é uma verdadeira “jazida” de cafés especias. “Temos que aprender a garimpar, para separar esses cafés de alta qualidade da ‘cascalheira’ das commodities”, defendeu.

Ele explicou que o padrão adotado para medir a qualidade estabelece uma pontuação para o café. Acima de 80 pontos, ele é considerado especial e, no Brasil, atingir isso não é incomum. Um café comum tem o preço atual em média de R$ 330 a saca, ao passo que um especial atinge R$ 500.

Certificação – Newton Castro Moraes, coordenador estadual da Emater-MG, afirmou que um dos diferenciais na busca da qualidade é a certificação, que tem três tipos na agricultura: de origem, de qualidade e da sustentabilidade do processo de produção. No caso do café, a certificação de origem já foi feita para os grãos do cerrado. Estão em curso as certificações para os cafés da Mantiqueira e das Matas de Minas.

Segundo Moraes, a certificação traz vários benefícios: o produtor organiza o sistema produtivo, reduz risco de autuação, conhece seu custo e rentabilidade e consegue acessar novos mercados. Já o mercado se beneficia com informações sobre origem e qualidade da produção, além de ter a possibilidade de remunerar de modo diferenciado os produtos, estimulando a produção.

Inovação – Luiz Gonzaga, diretor da Agência de Inovação do Café (InovaCafé-Ufla), informou que 58% da safra do café nacional é produzida em Minas. “Para continuar liderando, é necessária inovação para fazer frente às grandes tendências dos próximos anos”, avaliou. Como estímulos à inovação, ele citou a realização do concurso de qualidade dos cafés de Minas, que neste ano teve um recorde de 2.060 amostras de 30 cidades.

Ele acrescentou que a InovaCafé tem como meta levar tecnologia ao produtor e ao varejo do café. O trabalho vem funcionando, segundo Gonzaga, já que no Cup of Excellence 2017, 27 dos 32 ganhadores são de Minas.

Empresa produz cosméticos à base de café

Por fim, Vanessa Araújo, fundadora da Kapeh, falou sobre sua empresa de cosméticos à base de café certificado. Ela estudou as propriedades do grão verde, com alto teor de flavonóides, que protegem a pele do sol e têm efeito antioxidante, reduzindo os radicais livres.

Fundada em 2007, a Kapeh tem uma linha com mais de 120 itens, comercializados em mais de 200 pontos de venda em 18 estados. A empresa utiliza matéria-prima certificada e rastreada (lote do produto mostra qual café foi usado, se o trabalhador tem direitos respeitados, entre outros aspectos) e embalagens recicláveis.

Valorização – Ao final, o deputado Antonio Carlos Arantes (PSDB) destacou que é preciso valorizar mais o café brasileiro. Isso só será possível, na sua opinião, com o aumento da produção dos cafés orgânicos e especiais e investimentos do Estado em pesquisa para o agronegócio.