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Café e efeito estimulante – O principal componente psicoativo do café é, sem dúvida, a cafeína . Os efeitos comportamentais mais notáveis ocorrem após a ingestão de doses baixas a moderadas (50-300 mg) deste composto, verificando-se uma melhora na performance cognitiva e psicomotora ou seja, melhora do estado de alerta, da energia, da capacidade de concentração, do desempenho em tarefas simples, da vigilância auditiva, do tempo de retenção visual e diminuição da sonolência e do cansaço. O principal mecanismo de ação da cafeína deve-se à sua similaridade estrutural com a molécula de adenosina, um potente neuromodulador endógeno, que inibe a libertação de diversos neurotransmissores: glutamato, ácido gama-aminobutírico, acetilcolina. e monoaminas. A cafeína pode ligar-se a receptores da adenosina, bloqueando-os. Deste modo, a ação majoritariamente inibitória da adenosina fica impedida, sendo o efeito da cafeína, consequentemente, estimulante.

Café e cefaleias – A eficácia da cafeína no alívio das dores de cabeça reflete as suas propriedades vasoconstritoras a nível central. Nas cefaleias, como as de tensão, a cafeína parece ter também um papel ativo no alívio da dor, sendo o efeito dependente da dose ingerida. De fato, a cafeína pode ser encontrada como adjuvante de várias preparações medicamentosas, frequentemente utilizadas no combate às dores de cabeça, e possui efeito analgésico por si só, além de potenciar também a ação de princípios ativos utilizados: como paracetamol, ácido acetilsalicílico e ibuprofeno. Todavia, neste tipo particular de cefaleias, não parecem ocorrer alterações vasculares, pelo que o efeito analgésico da cafeína poderá estar ligado a outros mecanismos, para além do efeito vasoconstritor cerebral da mesma.