Canal Rural | 15/10/2017 17:40:36

Três novas variedades de café desenvolvidas pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que estão sendo adotadas pelo setor de produção, têm produtividades que variam de 35% a 70% superiores às das cultivares que até então representam cerca de 90% dos cafezais brasileiros.

Esses novos materiais também têm característica de tolerância à ferrugem-da-folha, principal doença do cafeeiro, causadora de perdas de até 50% na produtividade, segundo Júlio César Mistro, pesquisador do instituto. Os experimentos foram realizados em São Paulo e Minas Gerais.

A IAC Catuaí SH3, IAC Obatã 4739 e IAC 125 RN estão entrando no lugar de outros materiais já lançados pela entidade que, apesar de ocuparem quase a totalidade dos cafezais nacionais, são suscetíveis à ferrugem. De acordo com produtores, a despesa para controlar a doença gira em torno de 8% do custo total da produção, por hectare.

Cultivar IAC Catuaí SH3

Esta variedade produziu 39 sacas por hectare em Mococa (SP) enquanto que a cultivar já existente Catuaí Amarelo IAC 62 produziu 29 sacas por hectare. “Isso representa um acréscimo de 34%”, diz o pesquisador. Em Franca (SP), a produtividade foi 40% superior, atingindo 57 sacas por hectare, contra 40 sacas do Catuaí Vermelho IAC 99. “Nessas mesmas condições, este novo café não apresentou nenhum sintoma do ataque de ferrugem”, relatou o pesquisador.

A IAC Catuaí SH3 possui menor exigência hídrica. Com esse perfil, pode ser cultivada em regiões mais quentes ou onde tem acontecido veranicos mais frequentes nos últimos anos.

Variedade IAC 125 RN

Já a IAC 125 RN produziu 66 sacas por hectare, em Patrocínio (MG) e 60 sacas por hectare, em Patos de Minas (MG), onde a cultivar da região, o Catuaí Vermelho IAC 144, produziu 40 saca. Nos dois locais foi usada irrigação. “Em Mococa, a produtividade da nova tecnologia teve um ganho de 60% na produtividade, com 59 sacas por hectare, enquanto o Catuaí Vermelho ficou em 36 sacas”.

IAC Obatã 4739

A cultivar IAC Obatã 4739 superou o Catuaí Amarelo 62 em 40% — foram 83 sacas contra 59 por hectare, em Gália (SP). “Em Ribeirão Corrente (SP), a produtividade foi 12% superior ao Catuaí Amarelo 62, foram 45 sacas por hectare, versus 40 sacas; já em Franca (SP) superou em 35%, a variação foi de 50 sacas por hectare, para 36 sacas”, disse o pesquisador. Na cidade mineira de Patrocínio, em condição irrigada, foi registrado o maior ganho na produtividade, batendo os 70% na variação de 55 sacas por hectare, para 32.

“Elas estão sendo muito bem aceitas, porém o manejo agronômico, incluindo adubação, espaçamento, poda e outros, deve ser diferenciado em relação às cultivares mais tradicionais, tais como Catuai e Mundo Novo”, afirma.

Devido à resistência à ferrugem, essas três cultivares podem ser adotadas por produtores de orgânicos, em Franca. Esse nicho de mercado proporciona o aumento na renda dos agricultores. “O valor da saca do café em plantio convencional é de R$ 440, enquanto que no sistema orgânico chega até R$ 1.500 a saca”.

Segundo o pesquisador, as cultivares possuem excelente vigor, o que acarreta em boa produtividade. Elas têm também boa ramificação. Quanto à maturação, ela é tardia para o Obatã, média a tardia para o IAC Catuaí SH3 e precoce para o IAC 125 RN. “A maturação mais longa tende a beneficiar a qualidade da bebida”, explica Mistro.

As três variedades têm porte baixo, característica valorizada por pequenos produtores e também por aqueles que têm lavouras mecanizadas. A expectativa é que as sementes estejam disponíveis já em 2018.