Valor Online | 17/04/2019 05:00:01

A Nestlé tem metas ambiciosas para a categoria de café no Brasil nos próximos anos. Depois de 66 anos produzindo café solúvel e de 13 anos vendendo cápsulas, a fabricante entrará no segmento de torrado e moído com as marcas Nescafé e Starbucks. A empresa estuda a melhor forma para explorar em cafeterias suas outras marcas Nespresso, Dolce Gusto e Nescafé.

Esse segmento receberá investimento de R$ 300 milhões em 2019, como parte de R$ 1,5 bilhão que a multinacional pretende desembolsar no país. A quantia será para desenvolver produtos, adequar linhas de fabricação, dar suporte técnico ao produtor e marketing. Os itens da Starbucks começam a ser vendidos hoje nas lojas do Pão de Açúcar – a Nestlé comprou em 2018 o direito perpétuo e global para vender produtos da marca por US$ 7,15 bilhões. Já os itens da Nescafé estreiam no fim do mês.

Ampliar a presença na venda de café no país está entre as prioridades da empresa para 2019. Marcelo Melchior, presidente da Nestlé Brasil, disse que o café é o terceiro negócio mais importante da subsidiária, atrás de chocolates e leite. “Nos próximos quatro ou cinco anos poderá ser o segundo maior”, disse. No mundo, esta área é a mais importante em termos de receita.

Dados da Euromonitor International indicam que as vendas de café no varejo subiram 13,5% no ano passado, para R$ 23,9 bilhões. Na liderança está o Grupo 3corações, que ampliou a participação de 22,1% para 22,3%. A Jacobs Douwe Egberts (JDE), dona da L’OR e Pilão, detém a segunda posição, com 18,9%, mas perdeu 0,2 ponto percentual. A Nestlé, no terceiro lugar, cresceu 0,9 ponto percentual, para 14,2%.

“Temos potencial para crescer porque o brasileiro está acostumado a tomar mais café pela manhã. Existem outras ocasiões para serem exploradas e essa xícara de café pode ser de melhor qualidade”, disse Rachel Muller, diretora de cafés da Nestlé Brasil. Segundo ela, 48% do volume de café é consumido pela manhã, o que em valor representa apenas 16% do total.

No segmento de torrado e moído, Melchior afirmou que a empresa quer usar a Starbucks para enfrentar marcas como Orfeu, enquanto Nescafé Gold deverá disputar consumidores com a L’OR. As 15 variedades da Nescafé que chegarão ao varejo foram produzidas em três regiões: Serras do Alto Parnaíba e São Sebastião do Paraíso, em Minas Gerais, e Chapada Diamantina, na Bahia.

café Starbucks vendido no Brasil será importado dos Estados Unidos, sendo que as regiões de cultivo são América Latina, Indonésia e África. Muller afirmou que produzir o café no Brasil dependerá da velocidade de crescimento da marca. No futuro, existe plano de fabricar cápsulas da marca em Montes Claros (MG), onde já existe linha da Dolce Gusto.

No Brasil, a Nestlé ainda analisa a melhor forma para avançar na área de cafeterias. Existem algumas operações com parceiros que usam a marca Nescafé em locais como aeroportos, que poderão ser franqueadas. Melchior disse que também estuda como abrir unidades da Nespresso e da Dolce Gusto, que existem no Uruguai. A multinacional é dona da rede Blue Bottle Coffee, com unidades nos Estados Unidos e no Japão.

A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) estima que o consumo do produto não deverá repetir o ritmo de expansão do ano passado devido ao cenário de menor crescimento econômico. Mas o presidente da Nestlé disse que o segmento premium tem expandido e que a estratégia não será entrar em “guerra de preço” para ganhar participação.