Folha de S. Paulo Online | 08/11/2018 01:00:00

Etiópia é o berço do café. Foi do atual estado de Kaffa, no sudoeste do país africano, que a planta partiu primeiro para a Arábia e depois para o mundo.

Diz a lenda que, mais de mil anos atrás, um pastor daquela região, chamado Kaldi, percebeu que seu rebanho de cabras ficou lépido depois de ingerir os grãos avermelhados.

Na verdade, não se sabe quando nem como o café foi descoberto. Mas é sabido que seu fruto surgiu naquelas terras altas onde hoje ficam dois dos principais destinos (as cidades de Jima e Bonga) do turista que quer conhecer a produção do café da Etiópia —a sexta maior no mundo e a primeira do continente.

O auge da colheita, entre setembro e dezembro, é a melhor época para as visitas.

Jima costuma ser a primeira parada dos passeios que partem da capital, Adis Abeba, a 350 quilômetros. Como as agências oferecem roteiros personalizados, a duração do tour pode variar bastante.

Logo na chegada à cidade, a escultura de um grande bule e uma xícara de café dá as boas-vindas aos forasteiros. Nas ruas, mulheres torram os grãos e preparam a bebida vendida em pequenas barracas.

No Coffee Research Center, o visitante descobre a história do café, os diferentes tipos de grão e como funciona a produção no país. Mas para conhecer o cultivo é preciso esticar um pouquinho até Bonga, a antiga capital do reino de Kaffa, a 125 quilômetros de distância de Jima.

Em Bonga, fica a Bebeka Coffee Plantation, a maior e mais antiga fazenda de café da Etiópia. A visitação do local depende de autorização, que deve ser confirmada com a agência de turismo responsável pelo passeio. Na vizinhança, porém, há outras propriedades menores abertas ao público —algumas oferecem alojamentos para pernoite.

A 500 quilômetros de Jima, fica a região de Irgachefe, cheia de campos de cultivo e que atualmente ostenta a fama de produzir o melhor café exportado pelo país. A cidade é pequena, sem muita estrutura, por isso os turistas costumam se hospedar em Igralem, cidade próxima.

Em Irgachefe, o visitante pode conhecer desde a colheita nas fazendas, feita manualmente, até o processamento dos grãos nas cooperativas de produtores. Nesses locais, os frutos passam por uma triagem, são lavados e postos para secar, antes de serem torrados e moídos para a exportação.

Outra região produtora de café do país é Harar, mas os passeios turísticos não costumam passar por lá por causa da instabilidade política.

Na Etiópia, o café pode ser consumido nas cafeterias, preparado em máquinas italianas, ou em rituais da bebida. Chamados de buna, eles acontecem por todos os lugares, desde as barracas cobertas por lona no meio da rua até os hotéis mais sofisticados.

Primeiro, o local da cerimônia é decorado com folhas verdes espalhadas pelo chão. Dessa maneira, quem olha de fora sabe que o ritual está acontecendo. Em seguida, uma mulher encarregada da cerimônia ascende um incenso feito com ervas locais para aromatizar o ambiente e chamar a atenção do público.

Em seguida, ela prepara a lenha e torra os grãos ainda verdes até que fiquem bem escuros. Os fruto torrados são pilados manualmente pela mulher, enquanto a água ferve em um bule (buna) num pequeno forno, geralmente de lata. O pó de café é jogado diretamente na água do bule, onde ferve por mais alguns minutos até ficar pronto.

A degustação da bebida acontece em pequenas xícaras de porcelana, e nunca é utilizado açúcar.

Para os etíopes, convidar alguém para a cerimônia é um sinal de respeito. Para participar de um ritual de café, é preciso não ter pressa. Os locais dizem que a cerimônia demora o tempo que precisa demorar e que a espera faz parte dela (a duração pode passar de uma hora).

Se o tempo for curto, é possível degustar rapidamente, mesmo em restaurantes mais simples em vilarejos isolados, macchiatos, cappuccinos (servidos com chocolate em pó por cima) e o coffee with peanut, um mistura de café com creme de amendoim.

Em Adis Abeba, pode-se experimentar diferentes combinações de café na rede Kaldis (uma espécie de Starbucks etíope, parecida até no logotipo), no Mokarar e no Tomoca, que também vende pacotes de cafés de todo o país.

Outras opções de bebidas tipicamente etíopes são os spris, combinação de sucos de abacate, de mamão e de manga, e o tej, vinho de mel.

Para comer, a injera é o arroz com feijão da Etiópia. Trata-se de uma massa feita com a farinha de um grão local chamado teff e água, que, depois de fermentada por alguns dias, vira uma grande panqueca esponjosa e com gosto levemente azedo.

A injera é servida em qualquer lugar, sobre um grande tabuleiro compartilhado (e é comida com as mãos).

Pode levar por cima carnes, legumes, pastas e molhos. As combinações mais famosas são a atkilt wot (com batata, cenoura e couve), mesir wat (lentilha e especiarias locais) e bayanat (legumes cozidos e pasta de grão de bico e de feijão).

Na Etiópia, também é comum o consumo de carne bovina crua —não recomendado para quem tem estômago mais fraco. Para não correr o risco de pedir o prato sem querer, evite os que tenham “tere siga” (carne crua) entre os ingredientes.

Pacotes

R$ 6.345
7 noites, na Vast Ethiopia Tours
Entre Adis Abeba, Jima e Gambela. Com regime de pensão completa (sem bebidas), passeios, traslados e guia falando inglês. Preço por pessoa. Não inclui passagem aérea

R$ 17.962
16 noites, na Highland Adventures
Com hospedagem em Adis Abeba, Bahir Dar, Arba Minch, Gondar, Axum, Lalibela, Debre Zait e Turmi. Inclui regime de meia pensão, passeios e voos internos. Preço por pessoa. Não inclui aéreo entre o Brasil e o país africano

R$ 23.692
9 noites, na Maringá Lazer
Entre Adis Abeba, Bahir Dar, Gondar, Montanhas de Semien, Axum e Lalibela. Inclui café da manhã, 7 almoços e 7 jantares, seguro-viagem, traslados, e passeios. Preço por pessoa. Com aéreo a partir de Guarulhos (SP)

R$ 29.275
11 noites, na Mundus Viagens
Com hospedagem em Adis Abeba, Mekele, Lalibela e num acampamento. Inclui café da manhã nas cidades e pensão completa no acampamento. Com aéreo interno, mas não a partir do Brasil

R$ 52.140
11 noites, na Teresa Perez
Entre Adis Abeba, Montanhas de Semien, Lalibela, Turmi e Jinka, com pensão completa (sem bebidas), trechos aéreos internos, traslados e passeios. Preço por pessoa. Sem aéreo a partir do Brasil.