Agência SAFRAS – 26/11/2018

Lessandro Carvalho

Punta Del Este, 26 de novembro de 2018 – O economista e consultor José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados, palestrou nesta segunda-feira, durante o 26º Encafé (Encontro Nacional das Indústrias de Café), que ocorre de 25 a 29 de novembro no Hotel Enjoy Punta Del Este, em Punta Del Este, no Uruguai. Após um ano de 2018 pior do que o esperado para a economia brasileira, a expectativa é de um 2019 melhor, dependendo das ações do novo governo. Ele estima que o PIB possa crescer 2,2% em 2019, depois de um crescimento de 1,6% em 2018.

Mendonça de Barros iniciou dizendo que trazia 3 mensagens para o Encafé. A primeira é que no cenário internacional, após um período bastante positivo entre 201/18, agora há uma piora no quadro. A segunda mensagem vem da atividade econômica interna, que depois de um 2018 complicado e pior do que o imaginado, mais conturbado, com a greve dos caminhoneiros e eleições, deve ter uma melhora efetiva em 2019. “Neste ponto, a questão mais fundamental é o que o novo governo pode trazer do ponto de vista económico. É possível que traga de volta o crescimento sustentável”, afirmou. A terceira questão trazida pelo consultor é a política. “O que o novo governo pode ajudar e atrapalhar o mercado”, comenta.

Mundo

Há um processo de desaceleração econômica no mundo. O cenário internacional está piorando depois de um longo ciclo de crescimento, como abordou Mendonça de Barros. Os Estados Unidos estão levando o ciclo ao limite, mas mostra sinais de problemas. O consultor acredita que os EUA poderão ter uma recessão até 2020. Citou os conflitos comerciais deflagrados pelo presidente Trump, com a guerra comercial com a China sendo o pior.

Ele destacou que a economia americana ainda está aquecida, com o PIB no terceiro trimestre com crescimento de 3,5%. Se no curto prazo isso é positivo, no longo é preocupante porque pode trazer a recessão. “Até agora é bom, mas gera apreensão”, comenta. Esse crescimento muito rápido traz pressão inflacionária, o governo americano tende a aumentar os juros e a recessão chega a seguir.

Mendonça de Barros comenta que o desemprego americano está muito baixo e os salários no país estão aumentando, o que pode gerar inflação. O governo Trump aumentou gastos públicos, diminuiu tributos e isso levou a um maior déficit fiscal, que deve passar de US$ 1 trilhão em 2019. O governo então aumentou juros 3 vezes e deve aumentar mais três em 2019. “Mais juros leva à valorização do dólar, o que dá robustez no curto prazo, mas o problema vem no longo prazo”, afirmou. As bolsas de valores já estão antecipando uma recessão. “Trump reduziu impostos esperando maiores investimentos. Mas isso não está acontecendo”, advertiu.

Os países emergentes estão sofrendo com a taxa de câmbio, com o dólar subindo. Argentina e Turquia são exemplos disso. “O mundo cresceu bem recentemente, mas a recessão está chegando e será mais difícil para todos nós”, avaliou.

Brasil

Mendonça de Barros estima que o Brasil feche 2018 com crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 1,6%. A greve dos caminhoneiros e depois as eleições tiraram a força do crescimento que era previsto para esse ano, com o desemprego em 12%. Uma vantagem do novo governo é que iniciará 2019 com baixa inflação, mais significativa em determinados setores, como energia elétrica e planos de saúde.

O país está com excelente desempenho na balança comercial, as reservas internacionais estão bem e se o novo governo conseguir aprovar a Reforma Fiscal, a começar pela Previdência, o dólar pode se manter numa faixa de R$ 3,60 a R$ 3,60. Mas, se o governo Bolsonaro demorar o dólar pode novamente voltar a subir e passar de R$ 4,00 pelo receio das reformas não virem, avalia Mendonça de Barros.

Ele estimou o PIB de 2019 com crescimento de 2,2%; o IPCA (inflação) em 4,2%; a taxa básica de juros Selic fechando o ano de 2019 em 8,0%; o desemprego caindo para 11%; e a dívida bruta do país chegando a 79,3% do PIB.

O consultor afirmou que o Brasil precisa trazer de volta o crescimento sustentável. Precisa melhorar a questão fiscal com a Reforma da Previdência, travar a dívida bruta. “Não tem crescimento sem investimento e tivemos agora o menor investimento público em infraestrutura desde 1950”, lamentou Mendonça de Barros. Destacou a necessidade de investimentos em energia e logística, concessões e privatizações.

Para Mendonça de Barros, o período chave será o primeiro semestre do novo governo. “O governo tem que andar com as reformas no primeiro semestre ainda”, indicou. Todo governo tem um período inicial de aprendizado, mas o governo Bolsonaro terá de ser rápido nessa transição para o país efetivamente viver um cenário mais próspero em termos de crescimento económico em 2019.