Afnews | 07/08/2019 03:27:31

O Brasil é o maior exportador mundial de café, além de ser o país que mais produz café no mundo, o consumo de café no Brasil também é grande. Segundo dados de uma pesquisa realizada pela Abic (Associação Brasileira da Indústria do Café), a cada dia mais pessoas optam pela bebida. É por esta razão que o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) está desenvolvendo pesquisas voltadas à melhoria da qualidade do grão…

O consumo de café pelos brasileiros atingiu 21 milhões de sacas entre novembro de 2017 a outubro de 2018. O crescimento foi de 4,8%. O número chega a quase cinco quilos de café torrado e moído por pessoa, o que torna o país o segundo maior consumidor de café do mundo. “Aqui no Iapar nós desenvolvemos variedades para melhor produtividade, qualidade de bebida, não esquecendo também da resistência às doenças”, explica o pesquisador do Instituto.

O caminho para a obtenção de um café de qualidade é longo. A região onde o café é plantado é um dos fatores que podem interferir na qualidade do grão. Por conta disso, o Iapar vem trabalhando em algumas frentes, como em sistemas agroflorestais com a junção de cafés e árvores, como a seringueira. Esse consórcio busca melhorar a qualidade física dos grãos e da bebida por meio de mudanças no microclima, com redução da temperatura por causa do sombreamento.

Entre as várias linhas e pesquisa existentes no programa de melhoramento genético envolvendo qualidade de bebida, as atenções se voltam para a cultivar IPR 99. Trata-se de um material que tem resistência à ferrugem, além de ser bem produtivo. “Ele possui uma qualidade de bebida voltada para frutas amarelas como o maracujá, melão, pêssego e damasco. São aromas e sabores naturais do café”, afirmou Sera.

Para o melhoramento genético, o pesquisador explica que foram usadas espécies nativas da Etiópia. “Utilizamos materiais silvestres da Etiópia para cruzar com variedades comerciais e transferir sabores exóticos como cupuaçu, manga, limão siciliano. A longo prazo demora, mas terá um valor agregado muito alto para o produtor.”

Segundo a pesquisadora Patrícia Santoro, líder do programa de Café do Iapar, o consumidor que busca uma bebida de melhor qualidade está disposto a pagar um preço diferenciado. Um bom resultado desse trabalho foi a caracterização do café do Norte Pioneiro para a obtenção de Indicação Geográfica, uma das cinco existentes no Brasil. “A Indicação Geográfica atribui identidade própria ao café, agregando valor ao produto e dando visibilidade à região.”

Para os produtores, essa nova alternativa de produzir um café de qualidade elevada e com diferentes notas, agrega bastante valor e acaba sendo uma maneira de fugir do café “comum” que vem sofrendo depreciação nos preços no mercado do café interno e externo.

Para que essas tecnologias cheguem ao produtor rural e ao consumidor, o Iapar organiza anualmente, junto à Câmara Setorial do Café e outras instituições parceiras, como a Emater, dois concursos de cafés especiais: Concurso Café Qualidade Paraná e o CUP de Cafés Especiais das Mulheres do Norte Pioneiro. Esses concursos buscam divulgar os melhores cafés e reconhecer o trabalho dos agricultores em produzir grãos de qualidade superior.