Cruzeiro do Sul – 06/08/18
Daniela Jacinto

Espresso, ristretto, longo, macchiato, capuccino, mocha… É grande a variedade de estilos de café, sendo que cada um deles proporciona determinado sabor. Aromas intensos e formas de preparo que resultam em bebidas diferentes mostram um consumidor em mudança, com novo perfil, mais preparado, mais conhecedor, mais curioso e muito mais exigente, aponta a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

Por conta disso, já não basta passar um café rapidinho e tomar. As pessoas estão em busca de variedade e fazendo questão de ter na própria casa uma cafeteira, para preparar com rapidez um café mais sofisticado. No mercado há várias opções, para todos os gostos e bolsos. O investimento vai depender do paladar e das possibilidades de cada um. O Casa e Acabamento de hoje pretende ajudá-lo na escolha do produto mais adequado às suas necessidades, explicando um pouco sobre a diferença de sabores que cada máquina pode proporcionar.

Entendendo mais

Antes de falar qualquer coisa sobre máquinas e suas diferenças, é preciso entender um pouco mais sobre a bebida café. De acordo com o gastrônomo e barista André Ubaldo, o sabor começa na lavoura, nos tipos de espécies cultivadas e na forma da colheita. “Há dois tipos de espécies, a arábica e a robusta, também conhecida como canephora ou conilon”, diz. A arábica produz um café mais suave, com aroma e doçura intensos e variações de acidez e sabor. A maior produção, no Brasil, está concentrada em Minas Gerais. Já a robusta é para uma bebida mais encorpada. Tem 50% a mais de cafeína e a lavoura fica no Espírito Santo. “A caneflora é uma bebida com mais adstringência”, reforça André.

A partir dessas produções, é possível obter o café tradicional, o gourmet e o especial, que serão definidos conforme classificadores de café e pontuações. André explica que o tradicional, aquele em pó vendido nos supermercados, tem de 45 a 65 pontos. “Depende do tamanho do grão e dos defeitos no lote”, diz. O gourmet tem de 70 a 79 pontos, o que significa que apresenta menos defeitos. Já o especial, colhido em ponto cereja e com maturação perfeita, tem a partir de 80 pontos. “É raro achar café entre 90 e 100 pontos”, observa.

Sobre esse tipo, o especial, André comenta que há produtores no Espírito Santo que vendem apenas dois sacos por ano, mas cada um em torno de R$ 20 mil. Que café é esse que custa tão caro assim? Trata-se do Jacu Bird, o mais caro do Brasil e considerado um dos melhores do mundo. “Custa em torno de R$ 800 o quilo. O preço de uma xícara é R$ 24”, conta André.

O Jacu Bird é composto por grãos de café orgânico, que primeiramente são consumidos pelo Jacu, uma ave vegetariana que habita áreas florestadas e conservadas, nas montanhas. Para se alimentar, a ave escolhe os melhores cafés da plantação. Dentro do organismo da ave, o fruto passa por um processo de fermentação e sai intacto, pelas fezes. Ou seja, O Jacu Bird é resultado da moagem dos grãos evacuados pelo pássaro. Achou bizarro? Pois tem café feito a partir de cuspidas de macaco, de fezes de elefante, e por aí afora. Especialistas dizem que o sabor é muito diferenciado.

Proprietário de uma cafeteria no Campolim, André tem o Jacu Bird e outros tantos sabores. Fez questão que a reportagem experimentasse o burundi, um café africano suave e adocicado. Vale abrir parênteses: quanto melhor a qualidade do café, menor é a necessidade de se colocar açúcar. Esse foi preparado na prensa francesa e teve todo um ritual, desde pesar os grãos e moer na hora, até permitir a participação na feitura. “Geralmente coloco a prensa na mesa, para o cliente ter a oportunidade de apreciar o processo de preparo. Gosto de despertar algo além de consumir o café”, diz.

Para André, a função da bebida é unir as pessoas. “O café é muito ligado a experiências, a amizades. Ajuda a despertar memórias também, e minha alegria é proporcionar isso para o cliente: uma vivência interessante para quem gosta dessa bebida.

” Fique “de olho no café” 

O aplicativo “De olho no café” permite ao consumidor ver pelo celular as certificações que cada marca possui. Desenvolvido pelo Instituto Totum, agência responsável pelo gerenciamento dos programas da Abic, o aplicativo é fornecido gratuitamente aos usuários de celular Smartphone (tanto na versão Android quanto para Iphone), no Google Play e APP Store.

Sabores com toques e intensidades especiais 

Para preparar o seu café, você pode aumentar ou diminuir as doses de água de acordo com o que mais é palatável. Para um café curto (ou normale), é usada a dose de 30 ml de água, tendo como referência de 9g a 12g do produto. Gera um espresso mais encorpado.

Para o longo, aquele parecido com o da padaria, usa-se 50 ml de água, também para a mesma quantidade de café. Já o ristretto é o néctar do café, é para ficar com aquele gosto só na língua, por isso usa-se de 15 a 20 ml de água.

Se o assunto forem os sabores, há muitas opções. Você pode colocar leite vaporizado para ter um capuccino, apenas a espuma do leite para o macchiato, gotas de limão, entre tantas possibilidades. Tomar café é um ritual. Faça suas escolhas e boa sorte!