Safra ES | 19/02/2019 22:16:32

A área geográfica da Denominação de Origem do Café do Caparaó envolve dez municípios capixaba e seis mineiros

Anselmo Buss Júnior (Inovates) e Afonso Lacerda (Apec) assinam documentos a serem protocolados na INPI. (*Fotos: Divulgação)

O processo de estruturação da Indicação Geográfica (IG) de Denominação de Origem do Café do Caparaó se aproxima da etapa mais importante: o protocolo do pedido de reconhecimento oficial junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Os trabalhos técnicos já estão prontos, e o grupo de produtores aguarda o Instrumento Oficial que delimita a área geográfica do Caparaó, a ser emitido pelo Ministério da Agricultura (Mapa). A informação é do Instituto Inovates, que presta consultoria ao projeto.

Segundo o consultor Anselmo Buss Júnior, a expectativa da liberação da IG pelo INPI é de um ano e meio a dois anos. No caso específico de Denominações de Origem, a oficialização ainda é mais demorada.

No entanto, afirma Buss, o grupo requerente já pode “exercitar” o uso da Indicação Geográfica. “Até para comprovar junto ao Instituto que tudo está funcionando conforme o planejado. O INPI faz um processo de reconhecimento oficial, mas a região já fica preparada para utilizar as ferramentas da IG”.

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A área geográfica da Denominação de Origem do Café do Caparaó envolve dez municípios capixabas e seis mineiros. Estão envolvidos na atual fase representantes do Sebrae/ES, institutos federais do Espírito Santo (Ifes), campus Alegre, e Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (Apec) e prefeituras dos municípios.

Para Carlos Dutra Barbosa, representante da Caparaó Júnior (Empresa Júnior do Ifes) e integrante do Comitê Gestor para elaboração do dossiê de notoriedade do café, o reconhecimento pelo INPI vai agregar mais valor ao produto.

“Hoje em se falando de cafés especiais, a região do Caparaó tem destaque muito favorável. Esse reconhecimento como território produtor de café agregará mais valor ao produto, visto que ele sai para o mercado com outras marcas. O reconhecimento oficial pelo INPI nos dará autonomia e liberdade para utilizar a marca protegida do território do Caparaó para os cafés locais”, afirma Barbosa.

A expectativa com o registro é o produtor do Caparaó e a região como um todo conquistarem respeito. “Alguns produtores já estão em destaque e têm mais facilidade pelo reconhecimento dele em particular. Mas o conjunto da obra vai fortalecer mais o desenvolvimento econômico de toda essa cadeia”.

O presidente da Apec, Afonso Lacerda, comemora o momento. “Iniciamos os trabalhos em 2014 e agora estamos muito próximos de protocolar a IG. É aquilo que nós buscamos desde o início. Em breve estaremos com a marca reconhecida”, declara.

Sobre a IG

O selo da Indicação Geográfica reconhece reputação, qualidades e características que estão vinculadas ao local onde o produto é conhecido. Este registro comunica ao mundo que a região se especializou e tem capacidade de produzir um artigo diferenciado e de excelência.

No Espírito Santo, possuem o selo o mármore de Cachoeiro de Itapemirim e Vargem Alta, a panela de barro de Vitória, o cacau de Linhares, o socol de Venda Nova do Imigrante e o inhame de São Bento de Urânia (Alfredo Chaves).

Montanhas capixabas avançam na reivindicação do registroO projeto para Denominação de Origem do Café do Caparaó não é o único envolvendo os cafés capixabas. O Conilon ES e as Montanhas Capixabas também reivindicam o selo da Indicação Geográfica e avançam nas etapas exigidas para obter a certificação.

A IG Montanhas do Espírito Santo se aproxima da etapa de protocolo junto ao INPI. Segundo o vice-presidente da Associação de Produtores de Cafés Especiais das Montanhas do Espírito Santo (Acemes), Rodrigo Dias, o grupo concluiu dois anos de levantamentos preliminares, com a consultoria do Inovates.

Os trabalhos tiveram início no final de 2015 em 16 municípios da região serrana capixaba com apoio do Ifes (campus Venda Nova do Imigrante), Incaper, Sebrae/ES.

“O registro pleiteado vai confirmar a vocação das montanhas para a produção de cafés especiais. Os municípios vão produzir 1 milhão e 200 mil sacas de Arábica este ano, sendo em torno de 350 mil de cafés especiais com nota acima de 80 pontos. Tratam-se de grãos com corpo e acidez marcantes e muita doçura”, diz Rodrigo.