UOL – 19/09/2018 10h45

Paula Sambo e Fabiana Batista

(Bloomberg) — Você pode agradecer aos funcionários públicos canadenses por lhe trazerem café brasileiro de alta qualidade.

O Conselho de Investimentos da Previdência do Setor Público (PSP), um dos maiores fundos de pensão do Canadá, comprou em maio uma participação minoritária não revelada no Grupo Montesanto Tavares, que vende grãos de alta qualidade para redes que incluem a Starbucks.

Como parte do acordo, a PSP concordou em injetar até R$ 1,5 bilhão (US$ 362,2 milhões) no grupo com o objetivo de torná-lo o maior produtor de café do Brasil, disse uma pessoa familiarizada com a negociação. Parte do dinheiro começou a ser desembolsada, permitindo que a empresa pagasse a dívida bancária e aumentasse o capital de giro, disse a pessoa, que pediu para não ser identificada, porque os detalhes não são públicos.

A GMT, como é conhecida a empresa brasileira, controla os exportadores Atlantica Coffee and Cafebras e a importadora Ally Coffee, que opera nos EUA e na Europa. As cinco fazendas do grupo estão localizadas nas regiões montanhosas de Minas Gerais e Bahia, terra que possui grande potencial de crescimento para cafés especiais, um mercado de margem maior que está crescendo mais que a média, disse Rogerio Schiavo, sócio da GMT. Cerca de 40% da produção da GMT é dedicada aos grãos de alta qualidade, que eles apostam que os consumidores em todo o mundo continuarão comprando.

A PSP, que investe recursos para os planos de previdência do serviço público canadense, forças armadas e Real Polícia Montada do Canadá, tinha US$ 118 bilhões em ativos líquidos no final de março. A assessoria de imprensa do fundo disse que seu foco é “desenvolver parcerias sólidas com as melhores operadoras locais, como a GMT” e indicou Schiavo para responder outras questões. Schiavo não quis comentar o valor do acordo. A IF Asset Management foi a consultora do negócio.

O Brasil é o maior produtor de café do mundo. Os preços da commodity estão em seus níveis mais baixos em mais de uma década devido à queda da moeda brasileira e ao excesso de oferta de grãos.

Graças à injeção de capital, a GMT planeja quintuplicar a produção anual para 500.000 sacas nos próximos 10 anos. Isso pode torná-la a maior no Brasil, disse Schiavo, acrescentando que a empresa está atualmente entre as 10 primeiras. A companhia tem cerca de 2.000 hectares de área não utilizada para plantio, o que poderia dobrar a produção e também planeja adquirir novas terras e fazendas. A receita para 2018 deve chegar a R$ 1,5 bilhão, 11% a mais que no ano passado, disse Schiavo.