Agência SAFRAS – 26/11/2018

Lessandro Carvalho

Punta Del Este, 26 de novembro de 2018 – Com o atual nível de preço no mercado interno e internacional de café, 2019 será um ano difícil para a remuneração do produtor, que pode ter margens negativas, ainda mais diante do aumento do custo de produção. A avaliação é do presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado Mineiro, Francisco Sérgio de Assis, que falou à Agência SAFRAS durante o 26º Encafé (Encontro Nacional das Indústrias de Café), que ocorre de 25 a 29 de novembro no Hotel Enjoy Punta Del Este, em Punta Del Este, no Uruguai.

Francisco Sérgio de Assis diz que há muita indefinição e insegurança quanto aos rumos do mercado, sendo difícil prever a tendência do mercado. Mas, destaca que o lado bom é a crescente demanda no mundo, a taxas médias de pelo menos 1,5% ao ano. “A demanda está forte, mas a oferta também está”, afirma. Destaca que os volumes que o Brasil vem exportando, de 3,5 a 3,7 milhões de sacas por mês mostram esse forte consumo global. Por outro lado, mostram também que o Brasil colheu uma grande safra em 2018.

A comercialização de café está travada no momento no cerrado mineiro, destaca o dirigente. Os baixos preços afastam os produtores das negociações. Ele estima que mais de 60% da safra 2018 já foi negociada na região. E em torno de 30% da safra de 2019 já foi comprometida para entrega futura.

Para Francisco de Assis, mesmo com a bolsa de Nova York estando com preços relativamente fracos, não remunerando muito, o dólar tem ajudado e o Brasil consegue manter fortes embarques. Muitos dos concorrentes enfrentam maiores dificuldades, não tendo esse apoio do câmbio, e assim o país pode ganhar mercados. “Hoje temos cerca de 33% do mercado mundial, mas podemos chegar a 35% ou 40% do mercado”, acredita.

Se por um lado o dólar ajuda em termos de exportação e para sustentar o preço em reais do café, isso tem feito os custos dispararem ao produtor. Francisco de Assis aponta que o custo subiu em torno de 70% para os adubos, 20% para os defensivos e 35% na energia elétrica este ano. “Também temos mais custos de mão-de-obra e combustíveis”, destaca. Assim, com o nível atual de preço do café, ele prevê muitas dificuldades para os produtores. “E não há fatores no mercado no momento que possam nos fazer crer em elevação do preço do café”, avalia.

Ainda assim, Francisco de Assis afirma estar esperançoso para 2019 em termos da política brasileira, com o novo governo. “As reformas vão acontecer, a Previdência sendo a principal delas”, afirma. Em pronunciamento na noite de abertura do Encafé, Francisco de Assis, que também é diretor do Conselho Nacional do Café (CNC) rechaçou a possibilidade de qualquer intervenção do governo no mercado. “Intervenção é coisa do passado, o mercado é soberano”, defendeu. “Temos é que fazer políticas inteligentes”, destacou.