Indicadores da Indústria de Café | 2008

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Desempenho da produção e consumo interno
Período Intermediário – Novembro/2007 a Outubro/2008
Realização da Área de Pesquisas da ABIC – Associação Brasileira da Indústria de Café


 

O aumento do consumo em 2008

O consumo interno brasileiro de café continua crescendo. No período compreendido entre Novembro/2007 e Outubro/2008, a ABIC registrou o consumo de 17,66 milhões de sacas, isto representando um acréscimo de 3,21% em relação ao período anterior correspondente (Nov/06 a Out/07), que havia sido de 17,11 milhões de sacas. Isto significa que o País ampliou seu mercado interno de café em 550 mil sacas nos 12 meses considerados.

O resultado, entretanto, é inferior à expectativa inicial da ABIC, que apontava para uma demanda de 18,1 milhões de sacas em 2008. O consumo apresentou crescimento pequeno em volume no primeiro e no quarto trimestres do ano, apesar dos preços do produto não terem evoluído durante o ano. O resultado é compatível com a apuração intermediária de 2008, feita pela ABIC em Maio/2008, que havia registrado um crescimento de 3,43%, totalizando 17,45 milhões de sacas nos 12 meses encerrados em Abril/2008.

Já o consumo per capita foi de 5,64 kg de café em grão cru ou 4,51 kg de café torrado, quase 76 litros para cada brasileiro por ano, registrando uma evolução de 2,0% em relação ao período anterior, o que confirma a constatação da pesquisa “Tendências do Consumo do Café no Brasil em 2008“, feita pela TNS InterScience, com recursos do FUNCAFÉ através de convênio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA com contrapartida da ABIC, de que os consumidores estão consumindo mais xícaras de café por dia.

Esta pesquisa mostra que 9 em cada 10 brasileiros acima de 15 anos consomem café diariamente, o que o faz ser a segunda bebida com maior penetração na população, atrás apenas da água e à frente dos refrigerantes e do leite. A penetração do café foi de 97% em 2008, contra 91% em 2001. Os consumidores pesquisados em todo o Brasil também responderam que pretendem continuar a consumir a mesma quantidade de café em 2009, o que a ABIC interpreta como sendo um sinal de que o consumo de café não diminuirá em função da crise atual. O segmento dos jovens de 15 a 29 anos também apresentou crescimento no consumo diário de café.

Este resultado iguala o consumo por habitante/ano do Brasil (5,64 kg/hab.ano) ao da Itália (5,63 kg/hab.ano), supera o da França (5,07 kg/hab.ano) ficando pouco abaixo da Alemanha (5,86 kg/hab.ano). Os campeões de consumo, entretanto, ainda são os paises nórdicos – Finlândia, Noruega, Dinamarca – com um volume próximo dos 13 kg/por habitante/ano.

Por outro lado, considerando o café já torrado e moído, o consumo per capita de 4,51 kg/hab.ano aproxima-se do consumo histórico de 1965, que foi de 4,72 kg/hab.ano. A importância disto está no fato de que a ABIC, ao lançar o Programa do Selo de Pureza, em 1989, anunciou que pretendia reverter a queda no consumo de café que havia à época por meio da oferta de melhor qualidade ao consumidor, com o objetivo de retomar a grande demanda interna registrada em 1965 pelo extinto IBC – Instituto Brasileiro do Café. Em 2009, o programa Selo de Pureza celebra 20 anos desde o seu lançamento, como o primeiro programa setorial de certificação de qualidade em alimentos no Brasil. Os consumidores brasileiros já reconhecem a melhora da qualidade do café que lhes têm sido oferecido e comemoram tomando mais xícaras a cada dia!

A meta de 21 milhões de sacas por ano fica um pouco mais distante

A meta da ABIC para o consumo interno atingir 21 milhões de sacas em 2010, proposta em 2004, parece que vai ficando um pouco mais distante. O resultado de 17,66 milhões de sacas em 2008 exigiria um crescimento de 19% nos anos de 2009 e 2010, o que parece muito difícil de alcançar por duas razões básicas.

Primeiro porque as indústrias se vêem diante de um enorme desafio: se o café já é consumido por 97% dos brasileiros com mais de 15 anos de idade, como aumentar ainda mais a demanda? A resposta, conforme indicou a pesquisa da TNS InterScience, está em fazer com que as pessoas tomem mais xícaras de café por dia, aumentando a freqüência diária do consumo. Esse aumento da demanda, como apontou o estudo, virá do lançamento de produtos diferenciados, de alta qualidade, superiores, ou de inovações como os cafés gelados e preparados prontos para consumo. Outros fatores importantes serão a popularização e a maior oferta de equipamentos a preços competitivos, como máquinas para café ‘espresso’ (sachês e cápsulas) e sistemas combinados para café filtrado (máquina e café), para uso nos lares, escritórios, consultórios e academias.

A segunda razão é a atual situação mundial. “O consumo não deve cair em 2009, mas é justo que se espere uma redução na velocidade de crescimento em função dos efeitos da crise econômica atual”, analisa o presidente da entidade, Almir José da Silva Filho. Por estas razões, a ABIC deverá rever a meta dos 21 milhões de sacas, que talvez sejam alcançados entre 2011 e 2012.

Expectativas para 2009

Para 2009 a ABIC projeta um crescimento em torno de 3,0%, o que elevaria o consumo para 18,2 milhões de sacas. Os preços do produto para os consumidores ficaram estáveis em 2008. Pesquisas quinzenais na cidade de São Paulo mostram que o produto custava em Janeiro/2008, em média, R$10,01/kg nos supermercados, enquanto em Dezembro/2008, o preço era de R$10,11/kg, uma evolução de somente 1,2%, abaixo da inflação do período. O produto, outrossim, custava em Dezembro/2008 apenas 33% a mais que em Junho/1994, há 14 anos, na entrada do Plano Real, numa clara demonstração de que o café é hoje um produto barato e muito acessível para a população. No mesmo período a cesta básica evoluiu quase 300%.

As vendas do setor em 2008 atingiram R$6,5 bilhões e espera-se que cheguem a R$6,85 bilhões em 2009.

Nos próximos anos, a entidade pretende incentivar ainda mais a melhoria da qualidade dos cafés Tradicionais e incrementar e consolidar o mercado de cafés Superiores, Gourmet e Especiais. Conta para tanto com os seus programas de qualidade e certificação, desde o Selo de Pureza até o PQC – Programa de Qualidade do Café e tendo agora o novo PCS – Programa Cafés Sustentáveis do Brasil, que assegura produção sustentável desde a fazenda até a xícara.

A entidade lançou também um inédito programa de qualificação e certificação de cafeterias, o CCQ – Circulo do Café de Qualidade que, na data da publicação destes Indicadores, já contava com 44 cafeterias, algumas das melhores do Brasil. Esses e outros pontos de consumo, como hotéis e restaurantes, que trabalham com grãos de qualidade, são considerados fundamentais para a promoção dos cafés finos e na difusão do universo e da cultura do café.

Exportações de café torrado e moído crescem em 2008

A exportação de café torrado e moído com marca brasileira é uma iniciativa muito recente, que assumiu uma característica de negócios consistentes a partir de 2002. Com apoio da Apex Brasil, que mantém convênio com a ABIC, na forma de um Projeto Setorial Integrado de Apoio às Exportações de Cafés Industrializados, as vendas para o exterior totalizaram US$35,6 milhões em 2008, contra US$26,0 milhões em 2007, um crescimento de 37%. Em sete anos, as vendas aumentaram em quase 800%, considerando que em 2002 os embarques foram de US$4 milhões. Os principais mercados são, respectivamente, os Estados Unidos, a Itália, a Argentina e o Japão.

A concentração aumenta no setor

A pesquisa constatou que a concentração do setor vem se acentuando. A Tabela 4 indica que as 10 maiores empresas concentram 71,87% da produção total das empresas associadas da ABIC, contra 71,01% na pesquisa anterior. Enquanto isto, as 307 menores empresas tiveram sua participação reduzida de 7,32% para 6,79% da produção total das associadas.

Analisadas por grupos e portes, as empresas mostraram um desempenho muito distinto, com as maiores crescendo acentuadamente e as menores estáveis ou decrescendo.

A ABIC, nesta apuração, manteve a hipótese bastante conservadora, de que as empresas Não-associadas e o Consumo não-cadastrado (informal e nas fazendas) NÃO cresceram, contribuindo com 0% na média final, ou seja, que o grupo das maiores empresas assumiu parte do mercado das menores. Assim, enquanto os dados das empresas associadas indicam neste grupo um crescimento de 5,22% em relação aos volumes de 2007, o volume total, em função da hipótese assumida acima, reduziu-se para 3,21%.

Almir José da Silva Filho
Presidente da ABIC

Natal Martins
Área de Pesquisas e Informações


 

Relação das 100 maiores Indústrias de Café Associadas da ABIC em 2008

Outubro/2008

 

Produção e participação por Grupos e Portes de Empresas Associadas a ABIC – Brasil

Outubro/2008

TOTAL927.976100,00%381
GRUPO

2007 / 2008

VOLUME MENSAL (SACAS)PARTICIPAÇÃO (%)Núm. Empresas
1 – 999 sacas63.0116,79%307
1000 – 2999 sacas70.3427,58%39
3000 – 9999 sacas127.65213,76%25
Acima de 10000 sacas666.97171,87%10

Período de produção considerado: 2007/2008 – nov/07 a out/08 
Considerado somente café torrado e moído (entre associadas da ABIC)

 

Evolução do consumo interno de café

Outubro/2008

  CategoriasAno anteriorAno atualCrescimento
(Nov/06 a Out/07)(Nov/07 a Out/08)%
Empresas associadas10580000111400005,22
Empresas não-associadas35890003589000
Total de empresas cadastradas14170000147200003,88
Consumo não cadastrado19530001953000
Total geral de café torrado e moído16130000166800003,41
Empresas de café solúvel (1)979000979000
Total nacional de consumo de café17110000176600003,21
Consumo per-capita: café em grão cru5,5255220635,638717968
Consumo per-capita: café torrado e moído4,420417654,510974375

Fonte: ABIC
(1) Fonte: mercado
Sacas de café (60 kg)