CNA Brasil | 26/07/2017 16:07:54

A colheita de café no Brasil está a todo vapor. No Sul de Minas Gerais, região que produz apenas o tipo arábica e que está com 50% da área colhida, os produtores registram perdas de 15 a 20% da produção, em relação à safra 2016/2017, segundo o diretor presidente da Cooperativa Agrícola de Machado (Coopama), João Emygdio Gonçalves.

De acordo com ele, as perdas na produção estão relacionadas com a seca que ocorreu durante o período de enchimento dos grãos e afetou o tamanho dos frutos, fazendo com que eles ficassem pequenos. Minas Gerais produz 60% do café brasileiro e a região Sul do Estado responde por metade da produção mineira.

Para a produção de café na safra 2017/2018, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou um total de 45,5 milhões de sacas, com o café arábica sendo responsável por cerca de 35 milhões. Desse número, o Sul de Minas Gerais deve responder por 13,2 milhões de sacas, uma quebra de 20% na comparação com o ano passado.

O fato de ser um ano de bienalidade negativa também influencia no resultado, que tende a ser inferior à temporada passada.

Para driblar os problemas climáticos e garantir a produção de café, algumas propriedades da região estão investindo no manejo adequado e no uso de tecnologias. É o caso do cafeicultor Arthur Moscofian Junior, administrador conselheiro da Fazenda Santa Mônica, que está apostando em fertirrigação por gotejamento, meio de adubação que leva água e nutrientes para as plantas.

Além da técnica estar trazendo otimismo ao produtor, o solo também é algo que vem contribuindo bastante. “É uma terra que tem muito ferro e muitos minerais. O pé de café adora isso. Estamos aproveitando para fazer café doce também”, disse em entrevista ao portal Canal Rural.

Para o produtor, o esqueletamento da planta é o segredo para o aumento da produção. A colheita na propriedade atingiu 50% da área cultivada em que é aplicado o sistema Safra Zero, onde a poda do cafeeiro é feita após a colheita no topo e no “corpo” do cafeeiro, para que tenha mais ramos quando uma nova colheita for realizada, dois anos depois. “O produtor de café é um fabricante de ramos e quanto mais ele produzir, mais café ele terá”, acrescenta.