Revista Cafeicultura | 19/01/2019 00:00:00
Os dados confirmam um recuo já esperado, já que se trata de um ano de bienalidade negativa que afeta a espécie arábica, a mais produzida no país. No entanto, para uma safra com essa característica, o volume previsto é considerado elevado.

Segundo a Conab, a colheita projetada reflete uma área em produção de 1,8 milhão de hectares, 1,2% menor que a de 2018/19, e um rendimento que deverá oscilar entre 27,4 sacas e 29,58 sacas por hectare, ante as 33,07 da temporada passada.

De acordo com a Conab, a produção do arábica deverá atingir de 36,1 milhões e 38,2 milhões de sacas, uma queda entre 19,6% e 23,9%. Já a de café conilon deverá crescer para entre 14,4 milhões (incremento de 1,3%) e 16,3 milhões (avanço de 15,2%), em razão do clima favorável e pelo fato de essa espécie não sofrer tanto os impactos da bienalidade. “Tivemos o melhor volume de chuvas dos últimos anos nos últimos três meses”, afirmou o superintendente de Informações do Agronegócio da estatal, Cleverton Santana.
A área de produção de arábica cairá 2,2%, para 1,5 milhão de hectares, enquanto a de conilon crescerá 2,9%, para 377,94 mil hectares. Desde 2010, deverá ser o primeiro avanço da área de conilon no país. “Esse crescimento deverá continuar, já que devemos alcançar nossa melhor produtividade média no conilon da série histórica”, afirmou Santana.
Minas Gerais, que lidera a produção de arábica e é responsável por mais da metade do volume total de café colhido no país, deverá produzir entre 26,4 milhões e 27,7 milhões de sacas de café, diminuição de até 20,8%. O Espírito Santo, que responde pela maior produção do café conilon, com cerca de 65% do total, deverá colher entre 12,5 milhões e 14,7 milhões de sacas. Em 2018/19, foram 13,74 milhões.
Segundo analistas, a colheita prevista, somada aos estoques, deverá motivar um aumento dos embarques do Brasil e, com isso, manter as cotações internacionais sob pressão. Dados do Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) indicaram um aumento de 5% das exportações em 2018, para 37 milhões de sacas.
Embora as cotações da commodity estejam em queda em razão da oferta elevada, a Conab acredita que há espaço para uma reação. “É bem possível que aconteça um ajuste de preços de mercado do arábica em função dessa menor oferta”, afirmou o diretor do Departamento do Café do Ministério da Agricultura, Sílvio Farnese.
Por Marcela Caetano | De São Paulo
Fonte : Valor