Safra ES | 08/08/2019 00:10:27

O carioca Guilherme Loureiro acredita numa mudança cultural tanto na produção quanto no consumo de cafés especiais. (*Fotos: Leandro Fidelis) Era para ser só um projeto de marketing, mas acabou se tornando um polo de difusão de conhecimento com o objetivo de envolver toda a cadeia da cafeicultura na busca por melhores resultados. A 15 km do centro de Venda Nova do Imigrante, em São José do Alto Viçosa, fica a sede do “Coletivo Café” e do “Have a Coffee”.Enquanto o primeiro promove workshops reunindo mais de 400 pessoas, o segundo é a marca do clube de assinatura que entrega, via Correios para todo o Brasil, pacotes e cápsulas de cafés especiais de um produtor diferente por mês. Em menos de quatro anos, 450 cafeicultores do Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia passaram a profissionalizar a divulgação dos seus produtos e ampliar o networking por meio dos empreendimentos.

No caso do “Have a Coffee”, todo mês um produtor é selecionado. Além do seu café de microlote chegar às mãos dos assinantes, tem sua história contada em material gráfico e nas redes sociais. A novidade é o impresso “CaféZine”, cuja primeira edição foi lançada em julho.Quem apresenta os projetos é o carioca Guilherme Loureiro. Formado em Marketing, ele se tornou sócio de Marco Antônio Santos, criador do clube “Have a Coffee”, que inicialmente funcionava apenas como “agência do café”, atividade que se mantém, com o desenvolvimento de embalagens exclusivas para grifes e outras empresas.

Segundo Loureiro, o sócio tinha a ideia de montar uma torrefadora e aprofundar mais no universo dos especiais. Motivado pela vocação regional, o carioca, que nunca tinha visto um pé de café, acabou vindo para o Estado em 2016. Durante meses, fez imersão no assunto para conhecer produtores e organizar uma logística para fomentar o clube de assinatura.

“Todo produtor que eu conhecia me perguntava muita coisa, desde: ‘por que meu vizinho vende a saca a mil reais?’. Assim, acabei criando a marca ‘Coletivo Café’. Os eventos atraíam cinquenta pessoas no começo, e hoje reúnem centenas, abordando temas específicos e conectando os produtores com o novo mercado”, destaca Guilherme Loureiro.

O evento “Coletivo de Portas Abertas”, sempre realizado em dezembro, já teve três edições, a última com a participação de mais de 150 produtores, pesquisadores e baristas. “Os produtores tinham dificuldade de entender o mercado lá na ponta. Os pilares para chegar até a xícara são importantíssimos, por isto o ‘Coletivo’ é um movimento em prol da cadeia produtiva”, avalia.

Guilherme Loureiro acredita numa mudança cultural tanto na produção quanto no consumo, destacando a necessidade de formar “corrente”, e não concorrência, para conquistar novos mercados para os cafés especiais.

“É preciso abrir a mente do consumidor para saber quanto valem esses cafés e dar valor a quem realmente merece, que é o produtor”.