O Diário – Maringá | 06/02/2018 02:54:39

Estado que já reinou como campeão mundial na produção de café, hoje o Paraná vê a área destinada ao grão reduzida a meros 41,1 mil hectares, mera sombra de algumas décadas atrás, quando tinha 1,8 milhão de hectares plantados e colhia uma média de 20 milhões de sacas.

A área atual foi apurada no último relatório de campo do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná, confirmando uma tendência de queda que se verifica há décadas e se intensificou nos últimos anos como consequência das geadas de 2012, que afetaram seriamente a cafeicultura do norte e noroeste, região que mais plantam café no Estado.

De acordo com o levantamento, a área cultivada com café no Estado teve uma redução de 10,8% em relação à safra passada. Em 10 anos, os cafezais paranaenses reduziram de 105,3 mil hectares para 41,1 mil.

Técnicos e produtores não têm dúvida de que a redução vai continuar nos próximos anos no Paraná, ao passo que o interesse pela cultura cresce em outros Estados. Hoje o Paraná é o sexto maior produtor do Brasil, ficando atrás de Estados que não tinham – e continuam não tendo – vocação para a cafeicultura, como a Bahia e Rondônia. Minas Gerais se estabeleceu como maior produtor brasileiro, respondendo por 53% da produção nacional de café, seguido pelo Espírito Santo, com 19,7%. A produção paranaense, em queda ano a ano, na última safra correspondeu a apenas 2,7% de todo o café produzido no Brasil.

Para o economista Paulo Sérgio Franzini, da Secretaria da Agricultura e coordenador da Câmara Setorial do Café, a redução gradativa dos preços recebidos pelo produtor, muitas vezes não cobrindo os custos de produção, aliada à necessidade de adotar melhor tecnologia de produção, como a mecanização e renovação de lavouras, estão levando muitos produtores a desistir da atividade ou a diminuir a área cultivada.

Mandaguari, município da região de Maringá que é o maior produtor de café do Paraná, foi o que mais sofreu com as geadas de 2012, levando muitos produtores a fazer podas drásticas, esqueletamento ou mesmo cortar pés de café rentes ao chão, continua mantendo boa produção, apesar de vários plantadores terem migrado para outros grãos.

A família Rosseto, que planta café na região há mais de 70 anos, resiste à tendência de redução de área, mas para isto precisou adotar estratégias que até alguns anos atrás estavam fora dos planos, como a mecanização.

“Um dos graves problemas que enfrentávamos era a falta de mão de obra”, diz Jaime Rosseto, que cultiva uma vasta área próximo à praça de pedágio. “Nas épocas de colheita, precisávamos de muita gente e não conseguíamos, porque mesmo desempregados são poucos os que se aceitam trabalho rural”. A saída, segundo ele, foi mecanizar a colheita. Ele garante, no entanto, que não tem do que se arrepender.

Também em Mandaguari, a família Lopes segue na contramão de propriedades que estão reduzindo áreas de plantio. A Fazenda Boa Esperança colhe, em média, 3 mil sacas de café beneficiado por safra, mas adota todas as tecnologias que surgiram nos últimos anos para a cafeicultura. Ao invés de reduzir área de plantio, os Lopes aumentam ano a ano.