Jornal GGN – 12/03/2018
Silvio Reis

Com a inauguração de mais dois museus do café em 2017, o primeiro do Rio de Janeiro e o terceiro do Paraná, o Brasil tem atualmente dez museus que contam a história da cafeicultura regional e nacional. E não faltam projetos para aumentar a quantidade de espaços culturais nessa área.

De diferentes formas, o café brasileiro ganhará reforço de divulgação em 2018. Dois grandes museus fazem aniversário. A antiga Fazenda Lageado, em Botucatu, foi a primeira Estação Experimental de Café do país, nos anos 1970. Há 30 anos, tornou-se preservada em forma de museu do café, mantido pela Universidade Estadual Paulista, Unesp.

O suntuoso palacete do Museu do Café de Santos anunciou uma programação diversificada, internamente e na cidade, para comemorar 20 anos de fundação. Exposições, cursos, degustações, passeios de bonde e outras atividades poderão ser intensificadas, inclusive no museu virtual.

A próxima novela da TV Globo às 18 horas, Orgulho e Paixão,, será ambientada em uma das fazendas do Vale do Café, roteiro turístico do Vale do Paraíba Sul Fluminense. Nessa região, a Fazenda São Luís da Boa Sorte, em Vassouras, inaugurou no ano passado um Museu do Café para preservar parte da memória do Estado no século XIX.

Estas e outras divulgações vão favorecer a meta divulgada pela Associação Brasileira da Indústria do Café, ABIC, para o Brasil se aproximar, até 2021, do maior consumidor do produto, os Estados Unidos. Por enquanto, na vice-liderança, o desafio é alcançar uma taxa de crescimento superior a 3% ao ano.

Novos roteiros turísticos e museus contribuem para aquecer o mercado interno. No Norte do Paraná, a Rota do Café integra oito municípios. “Todos têm uma história para contar”. Para os visitantes, “uma nova história para viver”. Londrina faz parte desse roteiro com o Museu do Café, divulgado em 2011 no Guia dos Museus do IBRAM, Instituto Brasileiro de Museus.

O Museu do Café de Ibiporã teve inauguração em 2012, após restauração de uma estação ferroviária. O Museu do Café Massuci, em Rolândia, foi lançado no ano passado, na Fazenda Bimini. Parte do acervo é formado por obras em papel jornal do artista plástico Edson Massuci.

Milhões de grãos

Inaugurado em 1957, Ribeirão Preto, SP, abriga o primeiro espaço histórico-cultural dedicado à cafeicultura brasileira. O Museu do Café Francisco Schmidt ocupa a antiga “casa grande” da Fazenda Monte Alegre. Viabilizado por fazendeiros e pelo Instituto Brasileiro do Café, IBC, leva o nome de um dos barões do café e se encontra no campus da Universidade de São Paulo, USP.

A sede da Fazenda Taquaral, onde morou o fundador de Campinas, Barreto Leme, ganhou uma réplica, em 1996 e hoje representa o Museu do Café de Campinas. O MUCA pesquisa, coleciona, conserva, expõe e divulga a influência do café no desenvolvimento socioeconômico e cultural.

Com muita história para contar, somente a partir do ano 2000 Minas Gerais ganhou o primeiro museu do café, no Hotel Fazenda Pedra Negra, em Três Pontas. A propriedade expõe produtos típicos e oferece um Museu Vivo, com atividades cafeeiras em execução. Também no Sul de Minas, o Museu de Botelho, aberto em 2007, já possui cerca de 600 peças e decoração temática.  Outros museus poderão surgir pelo país. Em 2016, para a conclusão do curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC de Poços de Caldas, Mário Marcos Borges Bueno projetou um museu e um centro de formação profissional para a mineira Guaxupé, sede da maior cooperativa de café do mundo.

Uma informação recente para os dez museus em atividade vem de uma pesquisa da Embrapa: toda a área produtiva ocupada pela cafeicultura brasileira representa 0,86% em relação aos 850,3 milhões de hectares. Parece pouco espaço para o maior exportador mundial de café.