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Origem do Café

Muitos já aprenderam que o café veio da África, da Etiópia para ser mais específico, e que a Europa foi responsável em difundir o consumo da bebida pelo globo. Mas, o que poucos sabem é que um pastor de cabras africano (com a ajudinha de um monge) foi o grande responsável em descobrir seu uso/consumo. De acordo com a Lenda de Kaldi, registrada em manuscritos do Iêmen no ano de 575 d.C, o pastor Kaldi observou que suas cabras ficavam alegres e cheias de energia depois que mastigavam os frutos de coloração amarelo-avermelhada dos arbustos abundantes dos campos. Lenda ou não, registros históricos indicam que foi nesta época que a exploração de diferentes possibilidades de consumo do café começou a se difundir.

Os Etíopes, por exemplo, ingeriam o fruto. Alimentavam-se de sua polpa doce, macerada ou a misturavam em banha nas refeições. Suas folhas também eram mastigadas ou utilizadas no preparo de chá. Produziam também um suco fermentado que se transformava em bebida alcoólica.

Os árabes dominaram rapidamente a técnica de plantio e preparação do café. As plantas foram denominadas Kaweh e sua bebida recebeu o nome de Kahwah ou Cahue, que significa “força” em árabe. Registros históricos de 575 d.C indicam o Iêmen (atual Sudoeste da Ásia) como a primeira região a receber as sementes. Seus habitantes faziam infusão com o café e cerejas fervidas em água, geralmente, para fins medicinais. Naquela altura, monges começavam a utilizar o café como bebida excitante para ajudá-los nas rezas e vigílias noturnas.

O processo de torrefação foi outro passo importante para a popularização do café no mundo, mas só foi desenvolvido no Séc. XIV quando a bebida adquiriu forma e gosto como conhecemos hoje. A etapa seguinte foi a produção comercial no Iêmen. Os pés de café foram cultivados ali desde o séc. XIV em terraços com irrigação facilitada pela água dos poços do local, o que permitiu que a região tivesse o controle sobre a produção em escala comercial. Foi assim que o país manteve o monopólio de sua comercialização por um bom tempo.

Por apresentar sabor agradável e por ser estimulante, o café era o produto da moda digno de receber grandes investimentos. O crescente interesse pela bebida permitiu sua “globalização” e facilitou a intervenção cultural tanto nas formas de consumo quanto nas técnicas de plantio.

A tradição de “tomar um cafezinho” no mundo
O hábito de tomar café como bebida prazerosa em caráter doméstico ou em recintos coletivos se popularizou a partir de 1450. Ele era muito comum entre os filósofos que, ao tomá-lo, permaneciam acordados para a prática de exercícios espirituais. Poucos anos depois, a Turquia foi responsável em difundir o “hábito do café”, transformando-o em ritual de sociabilidade. O país foi palco do primeiro café do mundo – o Kiva Han – por volta de 1475. Desde então, tomar café passou a ser “um rito” que se propagou mundo afora. Em 1574, os cafés do Cairo e de Meca eram locais procurados, sobretudo, por artistas e poetas.

* Informações retiradas do livro: História do Café de Ana Luiza Martins, publicado em 2008.

A Expansão do café no Brasil

No Brasil, o café anda, derruba matas, desbrava as terras do Oeste.

Foi em 1727 que o oficial português Francisco de Mello Palheta, vindo da Guiana Francesa, trouxe as primeiras mudas da rubiácea para o Brasil. Recebera-as de presente das mãos de Madame dáOrvilliers, esposa do governador de Caiena. Ora, como a saída de sementes e mudas de café estava proibida na Guiana Francesa, é licito pensar que o aventureiro português recebeu de Madame não só os frutos, mas outros favores talvez mais doces. As mudas foram plantadas no Pará, onde floresceram sem dificuldade.

Mas não seria no ambiente amazônico que a nova planta iria tornar-se a principal riqueza do país, um século e meio mais tarde. Enquanto na Europa e nos Estados Unidos o consumo da bebida crescia extraordinariamente, exigindo o constante aumento da produção, o café saltou para o Rio de Janeiro, onde começou a ser plantado em 1781 por João Alberto de Castello Branco. Tinha início, assim, um novo ciclo econômico na história do país. Esgotado o ciclo da mineração do ouro em Minas Gerais, outra riqueza surgia, provocando a emergência de uma aristocracia e promovendo o progresso do Império e da Primeira República.
Penetrando pelo vale do rio Paraíba, a mancha verde dos cafezais, que já dominava paisagem fluminense, chegou a São Paulo, que, a partir da década de 1880, passou a ser o principal produtor nacional da rubiácea (café). Na sua marcha foi criando cidades e fazendo fortunas. Ao terminar o século XIX, o Brasil controlava o mercado cafeeiro mundial.

A história do café no Brasil, a partir do século XVIII, é tão marcante para os rumos do país a partir de então que, de acordo com os economistas e historiadores, não seria possível conceber os avanços pelos quais passou essa nação sem os ricos rendimentos obtidos pelos barões do café. Foram os lucros provenientes dessa lavoura, intensificada a partir das décadas de 1830 e 1840 no estado de São Paulo, que permitiram o surgimento das estradas de ferro, o avanço da urbanização, a entrada de grandes levas de imigrantes europeus (italianos, alemães, espanhóis,…), o deslocamento do centro de poder político do Nordeste para o Sudeste e, até mesmo o refinamento dos modos e costumes brasileiros.

O paralelismo entre o Brasil e o café é tão grande que uma boa parte dos primeiros registros fotográficos feitos no país retrata a rotina das grandes fazendas de café paulistas.

A introdução do café, inicialmente no norte do Brasil, não deu os resultados esperados. Isso acarretou uma espera ligeiramente prolongada, de aproximadamente 90 anos, até que o produto viesse a ser produzido em escala crescente nas regiões aonde iria realmente reinar, ou seja, principalmente em São Paulo. Antes de entrar em terras paulistas foi feita uma incursão no Rio de Janeiro, onde a adaptação do Coffee (em inglês) não foi bem-sucedida.

A influência do café no Brasil também pode ser medida pela relação traçada por vários historiadores e pesquisadores sobre sua influência nos rumos da abolição da escravatura ocorrida em 1888. A necessidade de mão de obra mais qualificada e estimulada para o trabalho teria motivado os barões do café de São Paulo a substituir progressivamente seus escravos pelos imigrantes europeus. Isso pode ser percebido até mesmo a partir dos dados relativos aos primeiros centros produtores de café, como o Vale do Paraíba fluminense, comparativamente as novas regiões de produção cafeeira, como o Oeste de São Paulo.

Convém lembrar que, a partir do século XIX, os registros de consumo do café em termos mundiais destacam crescimentos vertiginosos. Para exemplificar podemos ver o caso da França que entre 1815 e 1938 teve o consumo do vinho dos árabes (como também ficou conhecido o café) multiplicado 24 vezes. Dados mais contemporâneos, como aqueles da Alemanha dos anos 1970, demonstram uma afeição cada vez maior pela bebida ao atestarem um crescimento de 352 litros no início da década para 455 litros por pessoa ao final daquele período.

O surgimento dos cafés como centros de consumo especializado nessa bebida na Europa também foram decisivos para a explosão de consumo do produto mundo afora. O requinte relacionado a esses estabelecimentos, o crescente fluxo mundial de viajantes (a turismo ou negócios) e também a variedade de novos produtos relacionados ao café agregados a esses mercadores sofisticados da bebida certamente auxiliaram no seu crescimento de vendas.

Nos dias de hoje calcula-se que de todo o café consumido mundialmente aproximadamente 95% sejam de duas espécies, o Coffea arábica e o Coffea robusta. Esse café é proveniente de plantações que existem em países como a Colômbia, a Costa Rica, a Arábia Saudita, a Índia, a Etiópia, Angola, Zaire, México e principalmente do Brasil, o maior produtor mundial.

O que se sabe, ao certo, é que hoje em dia é muito difícil ficar longe de um bom cafezinho a nos despertar os sentidos, inebriar a alma e acelerar os passos. Isso nos faz recordar um pronunciamento a respeito do café de um dos maiores personagens da história, o general e imperador da França no início do século XIX, Napoleão Bonaparte: “O café, forte e abundante, desperta-me. Dá-me calor, uma força invulgar, uma dor não sem prazer. Prefiro sofrer do que ser insensível”.

Fonte: http://www.planetaeducacao.com.br/novo/artigo.asp?artigo=488

Fonte: Revista Cafeicultura

Texto extraído da Enciclopédia “Nosso Século” da Abril Cultural

Economia cafeeira e industrialização do Brasil

A economia brasileira durante a República Velha centrou-se em torno do café. Os processos de urbanização e o início da indústria no Brasil estão ligados a esse produto.

A cultura do café constituiu, no período da República Velha, sobretudo na fase conhecida como “república dos oligarcas” (1894-1930), o principal motor da economia brasileira. Esse produto liderava a exportação na época, seguido da borracha, do açúcar e outros insumos. O estado de São Paulo capitaneava a produção de café neste período e também determinava as diretrizes do cenário político da época. Da economia cafeeira, resultam três processos que se complementam: a imigração intensiva de estrangeiros para o Brasil, a urbanização e a industrialização.

Desde a segunda metade do século XIX, ainda na época do Segundo Império, a imigração de estrangeiros, sobretudo europeus, foi fomentada pelo governo brasileiro. O motivo de tal fomento era a necessidade de mão de obra livre e qualificada para o trabalho nas lavouras de café. Haja vista que, gradualmente, a mão de obra escrava, que era utilizada até então, tornou-se objeto de densa crítica e pressão por parte de grupos políticos abolicionistas e republicanos. Em 1888, efetivou-se a abolição da escravidão e, no ano seguinte, realizou-se a Proclamação da República, fatos que intensificaram a imigração e também a permanência dos imigrantes nas terras trabalhadas, tornando-se colonos.

Algum tempo depois, especificamente após o término da Primeira Guerra Mundial, em 1918, uma nova onda migratória se dirigiu ao Brasil. Nessa época, a economia cafeeira se transformou num complexo econômico com várias extensões. Os imigrantes que vinham à procura de trabalho nas lavouras de café acabavam, muitas vezes, deslocando-se para os núcleos urbanos que começavam a despontar nessa época. O processo de urbanização de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo se desenvolveu, em linhas gerais, para facilitar a distribuição e o escoamento do café, que era direcionado à exportação. A ampliação das linhas férreas que ocorreu neste período, por exemplo, foi planejada para tornar mais fluido esse processo.

A presença dos imigrantes nos centros urbanos, por sua vez, como informa o historiador Boris Fausto, em sua História do Brasil, proporcionou o aparecimento de empregos urbanos assalariados e outras fontes de renda como artesanato, fabriquetas de fundo de quintal e a proliferação de profissões liberais. A junção dessas novas formas de trabalho do imigrante com a estrutura urbana desenvolvida pelo complexo cafeeiro favoreceu o fluxo de produtos manufaturados e o consequente desenvolvimento das indústrias nos centros urbanos.

Por volta de 1880, já existia a presença de várias fábricas no Brasil, mas sem uma estrutura realmente significativa. Contudo, por volta das décadas de 1910 e 1920, as atividades industriais já eram bastante expressivas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Por meio da intensa exportação de café e importação de outros produtos necessários ao mercado interno brasileiro, várias estruturas de maquinário fabril também aportavam em terras brasileiras, já que muitos produtores de café também passaram a investir nas fábricas.

Os principais tipos de atividades industriais do período estavam relacionados aos setores: têxtil (produção de tecido), de bebidas e de alimentos. A modernização agrícola contribuiu decisivamente para a que indústria se desenvolvesse no âmbito dos setores referidos. E, para que houvesse estabilidade na produção industrial, também foi necessário o controle do valor da moeda brasileira. O motivo para esse controle era não correr o risco de ter o principal produto de exportação, o café, desvalorizado no mercado internacional. Então, por vezes, o governo brasileiro priorizava o café, preterindo a atividade industrial. Esse fato demonstra que apenas na Era Vargas, a partir da década de 1930, é que se teve no Brasil uma política econômica realmente voltada ao desenvolvimento industrial pleno.
FERNANDES, Cláudio. “Economia cafeeira e industrialização do Brasil”; Brasil Escola.

As grandes fazendas de café

As primeiras fazendas abertas no Vale do Paraíba exigiram de seus fundadores muito esforço. O processo de implantação consistia na derrubada da mata, escolha do local da sede (de preferência perto de rios) e construção de um galpão provisório. A seguir formavam-se um pomar e hortas para o consumo próprio e plantava-se o café. As fazendas eram praticamente autárquicas.

Além da casa-sede, moradia da família do proprietário, as principais edificações que compunham, sob o aspecto operacional, uma “empresa” agrícola do café eram:

O lavador de café;

  • O(s) terreiro(s) para a sua secagem, de terra ou calçado;
  • O engenho para beneficiamento dos grãos (engenho de café);
  • As tulhas para armazenagem do café seco a ser beneficiado;
  • E, ainda, a senzala, que abrigava a escravaria, a mão-de-obra envolvida em todo o processo produtivo e que fazia funcionar, realmente, a empresa agrícola do café e, por isso, também considerada no conjunto das cinco edificações, diretamente ligada à “atividade fim” da fazenda.

Variando de acordo com o porte da fazenda —- em terras, produção e recursos financeiros e da sua capacidade e/ou interesse em ser, parcial ou totalmente, auto-suficiente — podiam existir ou não, em porte menor ou maior, outras edificações e áreas de trabalho vinculadas às “atividades meio” do empreendimento.

O conjunto de edificações, notadamente a casa-sede, a senzala, o engenho de café e a tulha, formavam usualmente um “quadrado funcional”, denominação dada à forma de implantação das mesmas no sítio natural, tendo o terreiro de café, ao centro, como referência. Esta disposição por vezes era modificada ou se ajustava ao porte da propriedade quando, por exemplo, existiam mais de um terreiro ou a topografia do sítio apresentava desníveis.

Os programas arquitetônicos que caracterizavam as plantas das casas-sede, prevalecendo como forma de expressão e dando sequencia a um padrão histórico — independente de a construção adotar um “estilo” arquitetônico mais conservador, trazido pelos paulistas ou pelos mineiros, ou mais requintado, influenciado pela linguagem do neoclássico, que impregnou o nosso século XIX — eram marcados pela preocupação de separar as dependências em blocos distintos, refletindo, na organização de seus ambientes, as regras e normas sociais vigentes. Em um bloco eram contemplados os espaços necessários à convivência social da família, especialmente visando “proteger” a intimidade das mulheres da casa, onde se localizavam os quartos de dormir, as salas de refeição, jantar e almoço, e as dependências de serviços, como a cozinha. No outro bloco ficavam as dependências de recepção dos hóspedes e dos visitantes que vinham tratar de negócios, com suas salas e alcovas separadas da área familiar por ambientes cujas portas eram mantidas sempre fechadas. Com o passar do tempo e as mudanças na dinâmica social ocorrida nas últimas décadas do XIX, o isolamento dos membros da família — em especial das mulheres — foi-se atenuando e as soluções internas foram eliminando as dependências que possuíam a função básica de “separar” os blocos, dando mais leveza e funcionalidade às plantas das casas rurais.

PIRES, Fernando Tasso Fragoso:

Antigas fazendas de café da província Fluminense. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.

Fazendas: solares da região cafeeira do Brasil imperial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.

A crise de 1929

Durante a Primeira Guerra Mundial, a economia norte-americana estava em pleno desenvolvimento. As indústrias dos EUA produziam e exportavam em grandes quantidades, principalmente, para os países europeus.

Após a guerra o quadro não mudou, pois os países europeus estavam voltados para a reconstrução das indústrias e cidades, necessitando manter suas importações, principalmente dos EUA. A situação começou a mudar no final da década de 1920. Reconstruídas, as nações europeias diminuíram drasticamente a importação de produtos industrializados e agrícolas dos Estados Unidos.

Causas da crise

Com a diminuição das exportações para a Europa, as indústrias norte-americanas começaram a aumentar os estoques de produtos, pois já não conseguiam mais vender como antes. Grande parte destas empresas possuíam ações na Bolsa de Valores de Nova York e milhões de norte-americanos tinham investimentos nestas ações.

Efeitos da crise 

Em outubro de 1929, percebendo a desvalorização das ações de muitas empresas, houve uma correria de investidores que pretendiam vender suas ações. O efeito foi devastador, pois as ações se desvalorizaram fortemente em poucos dias. Pessoas muito ricas passaram, da noite para o dia, para a classe pobre. O número de falências de empresas foi enorme e o desemprego atingiu quase 30% dos trabalhadores.

A crise, também conhecida como “A Grande Depressão”, foi a maior de toda a história dos Estados Unidos. Como nesta época, diversos países do mundo mantinham relações comerciais com os EUA, a crise acabou se espalhando por quase todos os continentes.

Efeitos no Brasil 

A crise de 1929 afetou também o Brasil. Os Estados Unidos eram o maior comprador do café brasileiro. Com a crise, a importação deste produto diminuiu muito e os preços do café brasileiro caíram. Para que não houvesse uma desvalorização excessiva, o governo brasileiro comprou e queimou toneladas de café. Desta forma, diminuiu a oferta, conseguindo manter o preço do principal produto brasileiro da época. Por outro lado, este fato trouxe algo positivo para a economia brasileira. Com a crise do café, muitos cafeicultores começaram a investir no setor industrial, alavancando a indústria brasileira.

1929 – A crise que mudou o mundo

Autor: Brener, Jayme
Editora: Ática
Temas: História, Economia

 

1929 – A Grande Crise

Autor: Galbraith, John Kenneth
Editora: Larousse do Brasil
Temas: Economia

 

1929 – O colapso da Bolsa

Autor: Galbraith, John Kenneth
Editora: Thomson Pioneira
Temas: Economia, História

O café brasileiro na atualidade

O Brasil é o maior exportador de café no mercado mundial e ocupa a segunda posição, entre os países consumidores da bebida. O Brasil responde por um terço da produção mundial de café, o que o coloca como maior produtor mundial, posto que detém há mais de 150 anos. Conforme dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a cafeicultura brasileira é uma das mais exigentes do mundo, em relação às questões sociais e ambientais, e há uma preocupação em se garantir a produção de um café sustentável. A atividade cafeeira é desenvolvida com base em rígidas legislações trabalhistas e ambientais. São leis que respeitam a biodiversidade e todas as pessoas envolvidas na cafeicultura, e que punem, rigorosamente, qualquer tipo de trabalho escravo e/ou infantil nas lavouras. As leis brasileiras estão entre as mais rigorosas entre os países produtores de café.

Brasil: Mapa representativo das Regiões produtoras de Café

MINAS GERAIS: localizado na região Sudeste, Minas Gerais é o maior estado produtor de café do Brasil, responde por cerca de 50% da produção nacional e é uma das principais fontes de cafés especiais do país. Praticamente 100% das plantações são de café Arábica, cultivado em quatro regiões produtoras: Sul de Minas, Cerrado de Minas, Chapada de Minas e Matas de Minas, que exportam seus cafés pelos portos de Santos, Rio de Janeiro e Vitória.

ESPÍRITO SANTO: o Espírito Santo é o segundo maior estado produtor de café do país e o principal produtor de Conilon (Robusta). Com plantações de café Conilon nas áreas mais quentes ao norte, região chamada de Conilon Capixaba, e de Arábica ao sul, região conhecida como Montanhas do Espírito Santo, o estado é grande fornecedor do mercado brasileiro e escoa seus cafés especiais pelo porto de Vitória.

SÃO PAULO: o estado de São Paulo é um dos mais tradicionais no cultivo de café. Sua produção é exclusivamente de Arábica, distribuída em duas regiões: Mogiana e Centro-Oeste Paulista, que alternam fazendas com pequenas propriedades e produzem cafés especiais em áreas específicas. São Paulo abriga o porto de Santos, que escoa cerca de 2/3 das exportações de café do Brasil.

BAHIA: o estado da Bahia está localizado na região nordeste do Brasil, de clima quente e temperaturas mais altas. São duas as regiões produtoras de café no estado: Planalto da Bahia e Cerrado da Bahia, onde se cultiva Arábica. Ao sul do estado também há áreas onde se produz café Conilon (Robusta).

PARANÁ: o Paraná é o estado produtor de café localizado mais ao sul do país. Apenas café Arábica é cultivado em plantações adensadas, que usam variedades adequadas ao clima mais frio da região. Outrora o maior estado produtor do país, vem recuperando sua produção com forte ênfase no processo de cereja descascado.

RONDÔNIA: o estado de Rondônia se localiza na região norte do país. Com uma produção anual de aproximadamente 2 milhões de sacas, o estado produz exclusivamente café Conilon (Robusta). A cafeicultura é tradicional e familiar, com pequenas propriedades.

Fonte: CONAB

Linha do tempo do Café

  • O café, utilizado como alimento cru, começa a ser cultivado em grande quantidade no Yêmen.

  • Tribos da Etiópia consomem a fruta macerada, misturada com banha, como alimento.

  • Descobre-se a infusão de café. A fruta é mergulhada em água fervida, e esta infusão é usada com fins medicinais.

  • O hábito de beber café torna-se popular em Constantinopla, levado pelo Império Otomano.

  • Primeiro café do mundo é aberto em Constantinopla, o Kiva Han. As leis turcas permitiam que a esposa pedisse o divórcio caso o marido não fosse capaz de prover um cota de café.

  • A bebida é preparada da mesma forma que conhecemos nos dias de hoje. O café se torna popular na Arábia, e como o Alcorão proíbe as bebidas alcoólicas, passa a ser bastante utilizado em cerimônias religiosas.

  • Khair Beg, governador de Meca, tenta proibir o consumo de café. O sultão, sabendo do ocorrido, decreta uma lei torna o café uma bebida sagrada e condena o governador à morte.

  • O café é levado para Mokha, onde se inicia um grande cultivo.

  • Prospero Alpino descreve o cafeeiro no livro De Plantis Aegypti, publicado em Veneza.

  • A primeira importação de café para Europa é feita pelos Venezianos.

  • A prática da torrefação e moagem de café espalha-se pela Europa. Um dos responsáveis por esta divulgação foi a “Botteghe del Caffè”. No Cairo, inicia-se o uso de açúcar para adoçar o café.

  • Abre-se o primeiro café de Londres, Pasquar Rose, que causou conflito religioso, já que o café era considerado uma bebida impura por alguns religiosos da Inglaterra.

  • Os holandeses conseguem algumas mudas de café de Mokha.

  • O café invade a América do Norte, levado pelos holandeses.

  • Em Nova Amsterdã (Nova York) e Filadélfia, são abertas as primeiras coffee shops.

  • Nova York inicia um grande mercado de grãos de café em Wall Street, a Exchange Coffee House.

  • O exército otomano cerca Viena. Franz Georg Kolschitzky, um vienense, escapa do cerco turco e sai em busca de reforço. Os turcos recuam, deixando para trás várias sacas de café que Franz declara suas como “recompensa” pela vitória. Assim é aberta a primeira coffee house de Viena e difundido o hábito de coar a bebida e bebê-la adoçada com leite.

  • É aberto o primeiro café de Paris, o Procope, que atualmente é um restaurante em que se pode sentir a tradição das primeiras cafeterias européias.

  • Da estufa do jardim botânico de Amsterdã, saem alguns pés de café e, em 1699, inicia-se plantio experimental em Java e posteriormente em Sumatra.

  • O rei francês Louis XIV é presenteado com plantas de café pelo burgomestre de Amsterdã. Estas são colocadas na estufa dos jardins de Versailles. Destas mudas, os franceses levam o café para as Ilhas de Sandwich e Bourbon.

  • Holandeses levam o café para o Suriname, região nordeste da América do Sul, que se transforma em um grande centro produtor.

  • Floriano Francesconi inaugura o café Florian na Piazza San Marco, em Veneza, até hoje uma tradição.

  • Gabriel Mathieu de Clieu, capitão da marinha francesa, viaja para a Martinica levando mudas de café. A viagem é longa e algumas mudas morrem. O capitão resolve dividir com elas a sua ração de água para que chegassem ao continente. As plantas sobrevivem à viagem e se adaptam muito bem ao clima local. Infelizmente o capitão, que já tinha 80 anos na época da viagem, não ficou vivo o suficiente para ver o resultado de seus esforços, que deram origem a grandes plantações, que seriam as ancestrais da América.

  • Primeira plantação de café em terras brasileiras. O café começa a ser cultivado no Pará, a partir de uma muda trazida do Suriname, por Francisco de Melo Palheta.

  • Ingleses iniciam plantações na Jamaica, dando origem ao famoso café Blue Mountain.

  • Johann Sebastian Bach compõe a Contata do Café. As cafeterias já haviam se tornado um local para apreciação da música.

  • Mudas de Goa são trazidas para o Rio de Janeiro. O café é plantado na Gávea e na Tijuca por João Alberto Castello Branco.

  • O cientista alemão Ferdinand Runge descobre a cafeína a partir do café.

  • Depois de avançar pelo Vale do Paraíba, o café torna-se uma commodity importante para os brasileiros e chega a Campinas consagrando-a como a capital da cafeicultura paulista.

  • Brasil torna-se uma grande potência exportadora de café com 26 milhões de pés plantados.

  • Inaugurada a Estrada de Ferro Santos Jundiaí, que unia o principal porto de exportação à região produtora de café.

  • Ludwig Roselius coloca no mercado o primeiro café sem cafeína.

  • Com a crise de 29, decorrente da quebra na bolsa, há uma desestabilização do mercado. O financiamento junto aos bancos estrangeiros é interrompido, e os preços despencam, levando o setor para uma enorme crise.

  • Fim do domínio brasileiro no mercado de café.

  • Começa nos EUA a popularização do café expresso, com a difusão de redes de cafeterias.

  • As máquinas de café expresso automáticas ganham presença no mundo todo.

  • Consumo mundial supera a barreira dos 100 milhões de sacas.

  • Brasil atingiu recorde de quase 3 milhões de dólares na exportação de café, tendo a Alemanha superado os Estados Unidos como maior importador.

  • Comitê do Conselho da Bolsa de Nova York coloca na pauta o café despolpado brasileiro. A quantidade de lojas especiais para café na América do Norte supera a casa das 10 mil.