Valor – 12/12/2018

Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

A Cia Cacique de Café Solúvel vai investir US$ 60 milhões na construção de uma unidade para produção de café solúvel em Linhares, no Espírito Santo.

Será a segunda fábrica da empresa, que é a maior exportadora brasileira do produto – a primeira unidade está localizada na cidade de Londrina (PR).

De acordo com o diretor comercial da Cacique, Pedro Guimarães, com o investimento a companhia poderá ampliar o volume de exportação das atuais mais de 30 mil toneladas ao ano para 40 mil toneladas anuais.

A nova fábrica deve começar a ser construída no primeiro trimestre de 2019, e a previsão é que leve dois anos para entrar em operação. Sem detalhar, Guimarães disse que a capacidade de produção da Cacique com a nova unidade vai ter um incremento de um terço sobre a capacidade atual. O montante de US$ 60 milhões será destinado a uma primeira fase, mas o plano da Cacique já prevê expansão da planta no futuro, afirmou ele.

A escolha do local do investimento é estratégica, uma vez que o Espírito Santo é o principal produtor de café conilon do Brasil. O conilon é a principal matéria-prima do solúvel. “A decisão demonstra a confiança da Cacique na capacidade de produção do Espírito Santo, em sua competitividade”, disse.

Com o aporte na nova unidade, a Cacique põe em pratica a estratégia de concentrar esforços em seu ‘core business’, o café solúvel. Isso foi definido no começo de 2017, quando vendeu seu portfólio de marcas locais de café, como Pelé, Graníssimo e Tropical, à gigante Jacobs Douwe Egberts (JDE) – a multi é a dona das marcas Pilão, Café do Ponto, Caboclo e Seleto.

Desde então, a Cacique só vem atuando na produção de solúvel, destinado em sua maior parte à exportação. Também é fornecedora exclusiva do produto para a JDE. A Cacique detém o direito de comercializar café solúvel com a marca Pelé no exterior. Os principais negócios de exportação da Cacique, porém, envolvem vendas de solúvel a granel a companhias que comercializam com outras marcas.

Maior exportadora de solúvel do país, a Cacique vende para clientes para cerca de 85 países. “Com essa nova fábrica, a companhia espera responder à crescente demanda por café solúvel em vários mercados internacionais”, afirma a Cacique em comunicado a clientes.

Segundo Guimarães, o plano de ter uma nova unidade de solúvel já existia, e a definição da situação política no Brasil após as últimas eleições presidenciais permitiu que fosse colocado em prática.

Ele afirmou que os recursos para os investimentos devem ser próprios, mas não descartou a possibilidade de a empresa buscar apoio do BNDES. Também disse que o governo capixaba já sinalizou dar “suporte” ao investimento, com algum benefício fiscal, mas acrescentou que não há definição sobre qual seria o benefício.

De janeiro a outubro deste ano, as exportações brasileiras de café solúvel somaram o equivalente a 3,006 milhões de sacas, alta de 5,1% ante igual intervalo de 2017, segundo a Associação Brasileira de Café Solúvel (Abics). A Cacique responde por, em média, 34% do volume embarcado.

As vendas externas de solúvel pelo Brasil estão em recuperação após dois anos de queda, que levaram o país a perder espaço no mercado internacional por causa da menor oferta de conilon, em decorrência da seca que afetou o Espírito Santo entre 2015 e 2016.

O investimento da Cacique é o segundo em fábrica de solúvel anunciado este ano no Espírito Santo. No fim de outubro, a multinacional asiática Olam informou que vai investir cerca de US$ 130 milhões em uma planta no Estado.