Folha de S. Paulo Online | 18/05/2018 02:00:00

O Brasil reafirma neste ano a liderança mundial na produção de café. A safra renderá 58 milhões de sacas, um volume recorde.

As receitas que ficam nas mãos de produtores, das indústrias e até dos exportadores brasileiros, no entanto, encurtam.

O café tem produção e demanda mundiais crescentes, mas as receitas ficam cada vez mais na pós-industrialização e menos na produção inicial.

E o Brasil, líder mundial nas exportações de grãos, não tem presença na oferta externa de café industrializado, produto que gera valor agregado e está reservado aos grandes grupos.

As exigências sobre os produtores crescem cada vez mais, principalmente as ligadas à sustentabilidade e à qualidade do produto, o que eleva custos.

Essa qualidade, porém, rende mais na ponta do consumo do que no valor da saca. O Brasil avança anualmente na quantidade de café considerado diferenciado no mercado.

Neste ano, os dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) indicam que o país colocou 10,1 milhões de sacas de café no mercado externo.

Desse volume, 18% foram de cafés diferenciados, que representaram apenas 21% das receitas totais obtidas no período.

Se os cafés diferenciados rendem menos do que poderiam, as receitas com exportação de café torrado e moído decepcionam ainda mais. Ano após ano o país vem registrando queda neste segmento.

Nos quatro primeiros meses deste ano, o Brasil exportou o correspondente a US$ 4,24 milhões de café torrado e moído, mas importou US$ 18,81 milhões no mesmo período.

O mercado externo já está ocupado por grandes empresas, muitas delas atuando também no mercado interno brasileiro. A manutenção do “status quo” é conveniente para muitas.

O Brasil é atraente para as gigantes do setor não só porque aqui elas se abastecem de matéria-prima, mas também estão de olho no segundo maior mercado consumidor do mundo.

A produção brasileira de café será recorde porque as lavouras passaram pela chamada bienalidade positiva. Os cafeeiros produzem muito em um ano e perdem força no seguinte.

A produção deste ano deverá ser 29% superior à de 2017. Quando comparada à de 2016, período em que houve outra bienalidade positiva, o aumento é 14%.

Faesp recomenda recolhimento de contribuição sindical rural

O não recolhimento da contribuição sindical rural poderá trazer uma insegurança jurídica.

É o que mostra comunicado da Faesp (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São?Paulo), do Senar (Sistema Nacional de Aprendizagem Rural) e dos sindicatos rurais em jornais desta sexta-feira (18).

A reforma trabalhista condiciona o recolhimento da contribuição sindical à autorização prévia e expressa dos que participam de uma determinada categoria e econômica ou profissional.

A inconstitucionalidade dessa alteração legislativa, no entanto, é objeto de diversas ações no Supremo Tribunal Federal, segundo a Faesp.

A entidade afirma ainda que a contribuição rural foi instituída por decreto-lei e não se sujeita a alterações promovidas pela reforma trabalhista.

A Faesp destaca também os posicionamentos da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho que apontam a necessidade de uma lei complementar para a alteração contribuição sindical.