Agência SAFRAS – 29/11/2018

Lessandro Carvalho

Punta Del Este, 28 de novembro de 2018 – O consumo de café no Brasil deverá fechar o ano de 2018 em 22,9 milhões de sacas de 60 quilos, com aumento de 4% contra o ano de 2017. E para 2019, a expectativa é de manutenção de uma taxa de crescimento de 4% no consumo brasileiro, que assim deve chegar a 23,8 milhões de sacas. A análise foi feita pelo diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), Nathan Herszikowicz, que falou com exclusividade à Agência SAFRAS durante o 26º Encafé (Encontro Nacional das Indústrias de Café), que ocorre de 25 a 29 de novembro no Hotel Enjoy Punta Del Este, em Punta Del Este, no Uruguai.

O diretor da ABIC destaca que esses dados continuam posicionando o Brasil como segundo maior mercado consumidor do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Ele destaca que a empresa de pesquisa Euromonitor foi contratada pela ABIC para atualizar os números do consumo no país. “As mesmas pesquisas indicam que o consumo de café deve continuar crescendo. Nós sentimos isso, no movimento das indústrias de café, nas conversas com nossos associados, tanto grandes empresas quanto menores, todos sentindo uma força muito grande no consumo de café. O café acabou se transformando, de fato, na bebida do momento, pelo prazer que ele traz, pelas formas de preparação, pela experiência de preparar o café de forma diferente, pelo advento das cápsulas, pela melhora da qualidade, tanto no campo quanto na xícara do consumidor. Então o consumo deve continuar crescendo e a gente tem certeza que isso será uma realidade”, avaliou.

Destacou que a pesquisa da Euromonitor indica que o consumo deve crescer mais 4% em 2019, acima da média mundial, devendo empurrar o consumo brasileiro para alcançar os Estados Unidos, talvez, nos próximos anos. Herszkowicz obervou que o convênio entre a ABIC e a Associação Brasileira da Indústria do Café Solúvel (ABICS), firmado durante o Encafé, tem o objetivo de gerar negócios para os dois setores.

“A ABIC tem 400 associados, a grande maioria deles, mesmo sendo indústrias menores, não revende, não utiliza café solúvel no seu portfólio de produtos. E poderá passar a fazer isso. Isso vai significar, evidentemente, mais consumo de café, via indústria de café solúvel, com benefício também para a indústria de café solúvel”, concluiu.

26º Encafé

Nathan Herszkowicz destacou o ineditismo desse Encafé, realizado pela primeira vez fora do Brasil. “Ele foi feito no Uruguai, fora do Brasil, exatamente com o objetivo de expandir o campo de trabalho, o alcance do produto brasileiro, em terras da América Latina. Nós tivemos aqui participantes da Argentina, do Uruguai, da Colômbia, do México, do Chile, do Peru, todos interessados em aprender a respeito da indústria brasileira do café, que tem a responsabilidade de ser a fornecedora de um dos maiores mercados do mundo”, afirmou.

Para ele, o Encafé permitiu encontros, conhecimento de fornecedores, negociações iniciais, e mostrou efetivamente a disposição da ABIC de conduzir a indústria de café para trabalhos com maior amplitude.